Performance HOMENS - Diário de Bordo


#PerformanceHomens

Como foi a experiência da performance? Será que fez sentido o que foi pretendido? Como foi a experiência individual dos performers? Sentiram os "os lugares corporais internos" onde as coisas ficam "acumuladas" no corpo? E no lado externo, a exposição energética?

Anderson: _ Acho que a música ajudou bastante (mantra sânscrito JAYA SHIVA SHANKARA BOM BOM HARE HARE), criou uma bolha, se desligar um pouco da cidade e ao mesmo tempo eu gosto muito de ter uma relação com a cidade. Foi bem forte neste sentido! Eu me percebi uma pessoa mais centrada, consegui me desligar bastante do normal, eu sou muito "ligado" no que está acontecendo. Eu deixei as coisas atravessarem, passarem, a respiração ajudou bastante (respiração consciente e ritmada). A luz do sol trazia uma energia diferente, as pessoas, o vento, eu sentia os poros bem abertos! Mas me senti contido na movimentação, tinha muita coisa acontecendo dentro, mas acho que eu não sentia a necessidade de externar, ficou dentro, por aí...

Era bom, acho que o que não era bom foi aterrando logo no início, nos primeiros minutos, naquele silêncio (a performance teve início com uma meditação, todos de pé, com os olhos fechados durante alguns minutos em respiração e percepção consciente do próprio corpo). Não senti muito aquele “rio poluído” (metáfora usada para ilustrar as vozes sociais de censuras que cerceiam a espontaneidade expressiva do corpo, no caso do homem, os clichês de macho, por exemplo). Me lembro do contato com o sol, foi muito bom, algumas imagens que vinham, desenhos de luz, algumas sensações, algumas imagens que se criavam a partir dos sons que cidade fazia... Não senti meu corpo cansado!

Referente às intenções colocadas inicialmente pelo trabalho, "dançar como coro para evocar algumas facetas de volta à figura do homem: a amorosidade...

Às vezes eu me lembrava dos caminhos a serem trilhados, então vinha a vontade de soltar mais o corpo. As imagens que me vieram durante 3 ou 4 segundos, vinham como algo "espiritual", mas eu, naturalmente, não queria forçar... Imaginando o que aquilo é, na hora em que eu percebia que estava acontecendo, o fluxo acabava!

Acho que depois que eu escrevi (em uma das partituras, cada performer escrevia a palavra homem em maiúscula ao redor do Chákra Cardíaco) a relação com Ser Homem desaguou mais... Acho que eu estava mais emoldurado e depois que eu escrevi, veio uma coisa mais "híbrido-gênero", sabe?

Victor: _ E