Virginal Pinheiro (Poema)


Conta-me virginal Pinheiro

Sobre este manto de luz que se derrama desde o teu topo.

Conta-me como de tão longe, chamaste este coração que suspira,

Este olhar que somente alcança aonde o coração chegou primeiro...

Conta-me sobre tua espinha dorsal que inspira as torres, castelos e igrejas,

Sem jamais sequer se ofuscar diante da opulência humana!

Conta-me sobre teu fluxo rumo aos céus e a escultura em galhos e folhas

Por onde a tua seiva fluiu, esculpe e se expressa...

Conta-me sobre quão longas são tuas raízes,

Quantas sombras e abismos atravessas para ir tão alto,

E lá em terras recônditas e misteriosas,

Lá onde os rios fluem cristalinos e quase ilesos ao toque humano,

De lá brota o brilho que reluz a cada extremidade visível do teu corpo...

Me leva pela mão nesta dança entre tuas veias e poros...

Cada costela tua é também minha, é meu duplo…

Tua escoliose espelhada em minhas costas não é por acaso.

A cada beijo em ti é sobre minha própria pele onde mora o arrepio,

E cada violência contra ti é minha carne que lateja e se recolhe com medo...

Conta-me teu amor e medos em sussurros de batimentos cardíacos...

Revela-me a existência deste coração dourado que não vemos a olho nu,

Me ensina a humilde grandeza que desponta entre esta paisagem urbana,

Me ensina sobre tua paciência ao flertar pacientemente comigo por tanto tempo,

Me conta sobre os convites que deixaste sobre as mãos de tantas irmãs tuas...

Até que hoje, finalmente me tens e me deixas assim tão livre e sem apegos como tu és...