Curiosidades da Temporada do Espetáculo MÃE no Teatro de Arena


Temporada do Espetáculo MÃE no Teatro de Arena

Eu confesso que ando num caso de amor com o Teatro de Arena de São Paulo, a cada apresentação do Espetáculo MÃE aqui, aumenta nossa intimidade e o meu respeito por este espaço, vou sentindo gratidão ao perceber este pedaço tão importante da minha história que se escreve hoje aqui, eu me torno uma de suas "palavras" e ele se torna um dos meus "capítulos". Um dia desses entrou um Senhor após o término de umas das apresentações e ficou olhando tudo, achei que tinha assistido à peça também, mas ele se desculpou quando me notou e disse que entrou ao ver o teatro aberto porque voltara de outro estado nesta noite e este lugar fazia parte da sua história, contou que foi pupilo da Myriam Muniz lá e que "Ela era ríiiigida!", mas precisou parar com o teatro para se sustentar e sentiu como se tivessem lhe mutilado um membro, neste instante começou a lacrimejar e envergonhado, se desculpou mais uma vez mesmo diante do meu incentivo de que deixasse correr sua emoção... Frisei que não era vergonha, pelo contrário, expressar a própria vulnerabilidade é belo, verdadeiro e sinal de muita coragem e força e que o meu trabalho era justamente sobre isso também, risos! Pedi a ele pra me deixar gravá-lo e partilhar suas histórias preciosas, mas estava muito emocionado e ficou de retornar outro dia para inclusive assistir ao espetáculo.

Sabe, eu costumo pedir autorização internamente a todos os artistas mais ou menos reconhecidos que passaram por lá e agradeço a acolhida que tenho recebido! Entendo os seus desafios e doação ainda que em outros tempos e seguimos!

Já na terceira semana da temporada, recebi convidados especiais e família! Obras "meio-muito" autobiográfico geram uma certa ansiedade de compartilhar com a família que dividiu os mesmos fatos, ainda que reconhecendo os distintos pontos de vista e verdades próprias de cada um. Sinto uma certa resistência deles e compreendo, afinal somente vim expressar agora, aos 33, coisas que eu sinto desde criança... Então me parece muito normal que me sinto em cena, ao lado e atravessado pela figura da criança que fui e fez muitos dos meus desenhos que utilizo no trabalho, além da própria Mãe tão presente... A cada nova plateia confirmo que realmente talvez minha mãe tem mesmo um pouco de todas as mulheres e eu tenho um pouco de todos os filhos, de todos os homens... E nos buscamos, na busca de nós mesmos!

Coisas do Teatro e da Arte ou Vida! Como diz uma queirda amiga: AMO-NOS!

Bate-papo com a Turma 38 do Curso Técnico em Arte Dramática

Dentre as emoções desta temporada, no dia 18 de fevereiro, segunda-feita, um retorno nostálgica ao Senac Santana para um bate-papo maravilhoso com a Turma 38 do Curso Técnico de Ator, esta turma foi em peso assistir ao Espetáculo MÃE uma semana antes! Voltar a este espaço no qual eu estava dando um grande passo da minha formação profissional como Ator há quase 5 anos atrás, me encheu de gratidão e boas lembranças! A conversa com estes futuros atores profissionais e seres cheios de potenciais expressivos a serem manifestos para este mundão, foi em torno do processo criativo e da Gestão e Empreendedorismo em arte e cultura que é a competência que eles estão tendo aula atualmente e devo dizer, são ensinamentos tão fundamentais que construíram também as minhas bases, é também um dos grandes desafios na vida de qualquer artista neste país que ainda tem muito a se desenvolver no entendimento da importância da arte e cultura na formação do cidadão, no desenvolvimento humano e do cumprimento dos direitos constitucionais de liberdade de expressão e acessibilidade à arte e cultura... . Arte e Cultura é a ALMA de qualquer povo. Vá ao Teatro! Exercite os "músculos" da sua emoção, intelecto e alma!

Turma 38 do Curso Técnico de Ator do Senac Santana veio em peso assistir ao Espetáculo MÃE no Teatro de Arena

Visita do Ator Roni Diniz ao Senac Santana para uma bate-papo com a Turma 38 do Curso Técnico de Ator

Visita do Ator Roni Diniz ao Senac Santana para uma bate-papo com a Turma 38 do Curso Técnico de Ator

Um pouco sobre a equipe e parceiros por detrás desta temporada do #EspetaculoMAE

A Eliane Diniz (@_elianediniz), apesar deste sobrenome lindo, não é minha parente e além de Assistente Geral na Produção, é uma ex-designer de moda que em 2005, segundo seu relato, ocasionalmente conheceu o teatro e, desde então, tem experienciado as artes cênicas de forma despretensiosa, vivências que a levaram a uma Graduação em Arte-Teatro pela UNESP. A propósito nos conhecemos na UNESP durante o ano de 2017, quando participamos juntos do Projeto “Eu, Você, Nós: como criar juntos?” Projeto de Extensão do Programa de Atividades Artísticas e Culturais, Sub-programa de Ações Culturais - Instituto de Artes – UNESP. Coordenação: Prof. Dra. Lucia Romano (LAPCA - Laboratório de Processos de Criação Atorais).

O Hélio Junior @Oheliojr, além de Iluminador também é Ator formado pelo curso Técnico em Teatro do Senac. Integra o elenco e Núcleo de Pesquisa da Cia Biográfica, onde também é Produtor Geral, e compõe a equipe técnica e artística da Cia Base de Dança Vertical. Nos conhecemos em 2018 melhor em 2018 quando fui convidado para compor um projeto lindo que o seu grupo estava propondo ao PROAC.

equipe e parceiros por detrás desta temporada do #EspetaculoMAE

Uma das Trilhas Sonoras do Espetáculo é um Rezo de pura conexão!

Na primeira vez que eu ouvi uma das músicas que acabou entrando para a trilha sonora do espetáculo, eu estava no trem, ao celular como muitos, estressado e ansioso. Uma amiga me enviou pelo WhatsApp, ouvindo, de repente, testemunhei o meu corpo mudando de vibração, algo impossível de descrever, mas se parecia com uma árvore crescendo dentro ou através de mim, com as raízes nas entranhas e um longo e dançante caule que ao chegar ao coração me despertou uma sensação suprema de Amor e Conexão, como se o peito se abrisse, se reativasse, lágrimas brotaram em meus olhos e uma alegria extasiante solicitava meus braços ao movimento e à dança (mas disfarcei por estar em público). Um dia, "estudando" o efeito desta música em meu corpo, identifiquei que ela, assim como os mantras indianos, atuava diretamente sobre os meus chakras, alinhando-os e abrindo um canal interno energético em ascensão, uma sensação de liberdade profunda como um pássaro voando sobre os céus, uma teia cósmica invisível que une tudo o que é, harmonia semelhante à sinfonia de sons de uma floresta e seus ecossistemas interligados, conectados a um único coração pulsante ou FONTE!

Em 08/2017, concluí uma performance que era uma travessia a pés descalços de retorno por toda avenida Paulista, um "retorno à essência", voltando ao bairro do Paraíso e finalizando na Praça do monumento do Índio Pescador, eu também celebrava um ciclo de 7 experimentos performáticos da minha dança-performance Permeável. Senti de finalizar o trajeto que durou 3:40h dançando este mesmo canto sagrado, mas antes empreendi uma busca até descobrir quem o cantava, seus significados e pedir autorização que só veio no exato dia da performance! Descobri que não é apenas uma música, é uma sequência de música/rezo/acontecimento de uma noite de estudos da medicina da Ayahuasca, o Tonguerê fala do Beija-flor, segundo uma das intérpretes. Deixo o meu agradecimento aos povos Nativos generosos e ainda tão pouco valorizados, guardiães de tanta sabedoria ancestral, especialmente à tribo Yawanawa, à Hukena e Asi Rua, com as quais acabei tendo a sorte de me encontrar e viver as memórias que eu ainda acesso em cada apresentação! Cada semana passada, a surpresa de uma conexão linda em um dos momentos de interação com o Público nos quais eu me sinto como mero instrumento para lembrar por um segundo que seja a essência exuberante que todos nós temos dentro de nós e a Floresta ou Pachamama reflete tão bem e sempre nos lembra!

Eu venho sentindo uma emocionante gratidão, apesar de tantos desafios, por experimentar este ofício tão revolucionário quanto humano e ritualístico, pautado no Real encontro, no risco e prazer de tocar e ser tocado pelo outro em tempos tão virtuais em que a maioria tanto implora, precisa quanto teme e se protege do toque, adoecendo tantas vezes em silêncio. O artista é filho, pai e "MÃE" da experiência quase sexual de tão íntima deste encontro vivo, fértil, amoroso, disparador, latejante e intenso que é o TEATRO e o seu Processo. Quem sabe talvez nos lembrando que a excelência humana é o afeto...

Depoimentos do Público

O público é convidado a expressar o que sentiu durante o espetáculo, durante todas as apresentações do experimento 1 do espetáculo, o ator sempre concluiu a experiência do espetáculo com bate-papos abertos ao público, como o horário restrito do Teatro de Arena não permitia isso, utilizamos o caderno e a filmagem como plataformas. Muito além de elogios ou críticas mentais e muitas vezes superficiais, estes registros visam uma maior percepção sensorial dos afetamentos alcançados pela obra. Mais depoimentos encontram-se disponíveis na página do evento https://www.facebook.com/events/782611802095126/

O público é convidado a expressar o que sentiu durante o espetáculo.