Casos e acasos vividos na minha viagem à Vitoria, ES. Por Caline Silva


Uma frase que estou levando muito a sério: “Dinheiro a gente recupera, o tempo não”. Sou uma jovem de 19 anos que ama viver intensamente!

Tudo começou no ano passado 2016, minhas férias estavam chegando e eu ainda não tinha o que fazer, pensei em ir para Paraíba, um lugar lindo, cheio de praias maravilhosas em João Pessoa, e o melhor ainda é que já tinha onde ficar, ou seja sem gastar com hospedagem, mas eu já tinha ido no ano anterior com minha família, queria algo diferente. Comecei a pesquisar, muito lugares me chamaram atenção, Gramado, lindo demais, paisagens incríveis, muito chocolate, só tinha um problema: o FRIO, eu não estava afim de frio, queria calor! Eis que eu vejo uma imagem da praia curva da Jurema em Vitória/ES, comecei a pesquisar e gostei da cidade.

Me programei para ir, olhei as passagens, não estavam muito caras, pesquisei hostels, encontrei um bem legal, barato e com boas recomendações e já reservei. Ok, tudo certo duas semanas antes de viajar.

Os dias iam se passando e eu ficando ansiosa, afinal seria minha primeira viagem sozinha, sempre fui independente, sempre fiz o que queria, se não tivesse companhia, ia sozinha, inúmeras vezes fui aos parques em São Paulo sozinha, cinema, teatro, ou mesmo sair andando pelo Centrão sozinha, nunca liguei, aquele ditado sempre fez sentido “antes só do que mal acompanhada”.

Uma semana antes eu comecei a ver o roteiro do que eu ia fazer lá, quando fechei o hostel estava na descrição que o local disponibilizava bicicletas e pranchas de stand-up, o que eu pensei? “Vou olhar no Facebook, deve ter algumas imagens de pessoas fazendo o stand-up e dicas de locais”, quando entrei no Facebook do local, tive uma grande surpresa, sabe aquelas boas recomendações que mencionei no começo? Não foi bem o que encontrei, lá havia muitas pessoas falando mal do local, que o dono era um bêbado, que expulsava os clientes quando bebia, uma mulher disse que o mesmo insinuou que queria ela no quarto dele, ela acabou indo para um hotel que tinha próximo, houve até caso de a polícia ter que interferir. E agora? Já tinha fechado tudo, passagens, quando fiz a reserva o hostel descontou metade do valor no meu cartão de crédito... Eu estava muito animada para a viagem, não podia deixar de ir! Bom, só me restava uma opção, encontrar um lugar mais seguro para ficar, depois de muita pesquisa e verificações para ficar em segurança, encontrei um hotel na frente da praia de Camburi, á 15 minutos do aeroporto e perto de algumas praias e parques: “Ótimo, será este!” Reservei meu quarto, tudo certo novamente, nem falei nada para os meus pais sobre os incovenientes, senão já era a viagem...

Enfim chegou o dia, meu voo era ás 7 horas da manhã, cheguei ao aeroporto de Congonhas às 6 horas, fiz check-in e estava pronta para embarcar. No avião, sentei ao lado da janela, o avião se preparou para partir e veio aquele frio na barriga que todos temos quando ele sai do chão. O voo chegou 20 minutos mais cedo do que o previsto, foi uma viagem de 40 minutos, o piloto avisou assim que começamos a ficar em cima da cidade, olhei pela janela e soltei aquele “NOSSA!”, era só mar e uma vista inacreditável, um prazer imenso estar vendo tudo aquilo! Desembarquei, peguei um taxi e fui para o hotel, caso seja interessante você saber, os taxis lá, são branco com laranja, não me custou caro, era bem perto, no caminho passamos pela orla da praia de Camburi, fiquei completamente encantada com tudo aquilo.

Cheguei ao hotel, bem bacana, fui fazer meu check-in, mais uma surpresa, eu só ia conseguir fazer depois do meio dia, o hotel estava cheio e não tinha como fazer antes. O que fazer com a mala? Ficar lá esperando? Em São Paulo estava muito frio, aquele frio de julho e eu completamente agasalhada, enquanto em Vitória estava muito quente, falei com a recepcionista e perguntei se eu podia usar o banheiro para me trocar, ela era super simpática e disse que sim, que se eu quisesse podia deixar a mala lá e dar uma volta! Fiquei mega feliz, então me troquei, coloquei uma roupa refrescante, peguei meus óculos, minha bolsa pequena e fui para a praia. Não queria andar pela de Camburi, até porque eu estava hospedada na frente dela e podia ficar ali quando eu quisesse, então fui à praia do Canto, tinha que passar uma ponte e andar mais um pouquinho, gastei uns 20 minutos andando até lá, e olha “20 minutos que valeram a pena!”, assim que vi areia eu já tirei o chinelo, a água era cristalina, praia limpa, mesmo com movimento, brisa leve, pessoas educadas e lindas (pensa num lugar para ter gente maravilhosa!),vi um restaurante e fui tomar café, eram 10 horas da manhã! De lá dava para ver o movimento da cidade, a rua movimentada, os carros parando no farol, as pessoas se exercitando. Terminei de tomar o café e fui andar pela praia do Canto, próximo a ela, tinha uma praça, sentei lá e fiquei refletindo em como eu estava feliz por eu estar ali, quantas pessoas queriam estar no meu lugar, curtindo aquela paisagem, aquele movimento, tomando agua de coco e sentindo aquela brisa refrescante de mar, eu só podia agradecer por estar ali!

Já eram 11:40h, resolvi voltar para tentar fazer meu check-in e tomar um belo banho, que era o que eu estava precisando no momento, cheguei no hotel e simplesmente me apaixonei pelo gerente, risos - eu tenho que parar com essa mania de ir aos lugares e me apaixonar por alguém, quando fui para Arraial do Cabo aconteceu a mesma coisa, risos - ­­não vou descrevê-lo, mas qualquer pessoa se apaixonaria por ele, sério! Com o check-in feito, fui ao quarto, me senti rica quando cheguei lá, o pior é que não tinha nada de mais, mas eu estava sozinha, então curtiria tudo sozinha, era uma cama enorme de casal, uma de solteiro, um closet, uma mesa de trabalho, televisão smart, frigobar e um banheiro. Tomei banho, guardei minhas coisas, olhei pela janela e o tempo estava fechando, eu ainda não tinha almoçado, então resolvi sair para comer, não queria comer no quarto logo no primeiro dia de viagem. Andei pelas ruas e na rua de trás do hotel, havia alguns restaurantes, vi um e me interessei por que era diferente de todos aos quais eu já havia ido, tocava ópera e era bem praiano, entrei, sentei e pedi o cardápio, quando olhei o cardápio levei um tremendo susto, os preços eram bem altos, mas como eu já estava ali não ia levantar e sair... Quem sabe não era a melhor comida de vitória né?! Pedi o prato mais simples, arroz, legumes e frango grelhado com batata, pra beber um suco de uva servido na taça. Fiquei aguardando e morrendo de rir, estava contando o acontecido para um amigo no WhatsApp ele não parava de rir. Eis que o prato chega! Se eu tivesse ido a algum restaurante mais comum eu teria ficado muito mais feliz, os legumes era fervidos a vapor, não tinha tempero nenhum, o frango estava meio estranho, as batatas meio cruas, no fim, o que salvou foi o arroz. Quando olho para trás, alguns executivos, com terno e gravata e eu de chinelo e shorts, risos. Comi o arroz e um pouco de frango, pedi a conta (uma facada!) e sai de lá o mais rápido que pude, não por não está com trajes adequados, mas por causa da decepção com a comida horrível, assim que sai do restaurante encontrei um Habib’s e um Subway, poxa eu poderia ter comido lá, mas já tinha passado...

A alguns metros, passando por uma ponte, tinha um super mercado, não hesitei em ir lá comprar algumas coisas para comer, comprei o básico, água, pão, requeijão, algumas bolachas e frutas, voltei para o hotel guardei tudo e fui à orla da praia dar uma volta. Voltei cedo para o hotel, afinal tinha acordado bem cedo e precisava descansar, dormi cedo e me programei para acordar cedo e aproveitar o outro dia!

Levantei cedo no outro dia, tomei banho, me arrumei e fui tomar café, estava incluso quando reservei o quarto, era servido no último andar do hotel – na orla da praia tem limitação de andares por conta do aeroporto que fica próximo, então os prédios próximos tem até 4 andares no máximo – um café da manha recheado e uma vista inédita e foi lá aonde todos os dias desta viagem eu acordava para ver o nascer do sol, ele vinha como se estivesse tímido, mas alguns minutos depois, refletia no mar de uma forma que alguém com vergonha jamais faria! Fiquei ali por horas admirando aquela vista, então me lembrei de que eu tinha que aproveitar aquela semana o máximo que eu pudesse!

O Parque Pedra da Cebola

Desci ao quarto, peguei a chave, câmera, celular, cartão e fui para a rua, havia um parque ali próximo, Parque Pedra da Cebola, conhecido assim por ter uma Pedra que se parece com uma cebola, meio óbvio eu sei, joguei no celular o endereço e fui sendo guiada, as ruas lá são bem confusas, sempre tem cruzamentos, fiquei meio perdida e resolvi perguntar, andei, andei, andei e nada de chegar, estava indo no caminho totalmente contrário, até que encontrei alguém para me ajudar, uma mulher muito simpática me informou o caminho certo e finalmente cheguei ao parque. A entrada é por um portão muito pequeno, mas quando entrei vi a grandeza do lugar, a Pedra gigante era o destaque! Inúmeras crianças correndo, agitadas, seus pais sentados na grama organizando os piqueniques, alguns adolescentes mexendo no celular, sentados em bancos, sentei na grama e fiquei me lembrando de quando eu tinha aquela idade, uma pirralha que corria pra lá e pra cá, mais desastrada do que qualquer um, como era bom! Sem responsabilidades, sem ter com o que se preocupar e foi então que eu vi que aquele lugar era incrível demais para eu ficar pensando essas coisas, vamos viver! Levantei da grama e fui dar uma volta pelo parque, atrás do parque ficava a Faculdade Federal do Espírito Santo, encontrei um bando de pássaros voando livres, me vi um pouquinho neles, acho que todos deveríamos ter um pouquinho de pássaros em si, ser livre, voar por aí, sem destino ou muitas vezes com destino...

Acabando de andar pelo parque, logo peguei o caminho de volta, eu estava morrendo de fome, o problema foi achar aonde comer, voltei à orla da praia, a maior parte dos restaurantes estavam fechados, então parei em um quiosque, o que seria melhor? Não é mesmo? Me sentei e fiquei aguardando ser atendida, para minha surpresa, ninguém veio me atender, algumas mesas ocupadas, mas ninguém estava sozinha como eu estava, cansada de esperar, peguei meu rumo, tirei meu tênis e fui beirando o mar até chegar a um restaurante que ficava perto do hotel, comi muito, peguei sobremesa por ¼ do preço que tinha pagado no almoço do dia anterior, voltei ao hotel, dei uma dormida, acordei e fui para onde? Quiosque! Os quiosques na frente do hotel eram bem movimentados e aconteciam alguns shows, fui ao número 2, fiquei lá, tomando cerveja e comendo salgados, ao som de um pagodinho, olha que nem ou fã, risos, me tiraram para dançar, dancei, conversei, estava ficando tarde, então fiquei mais um tempinho olhando a lua, sentada na areia e depois fui dormir.

"É claro que eu disse sim!"

No sábado eu acordei com disposição para sair, mas como alguma coisa tem que dar errado, olhei pela janela e para o meu desânimo, estava chovendo, subi, tomei meu café e fiquei deitada assistindo, me sentindo sozinha, comecei a falar com uma amiga pelo WhatsApp, pedi almoço no quarto, com aquela preguicinha absurda de sair naquela chuva. O telefone do quarto tocou, era a recepcionista falando que as camareiras estavam quase indo embora e perguntou se eu queria que elas passassem para arrumar o meu quarto, eu disse que sim, elas chegaram deixei elas a vontade, eram super gentis e simpáticas, fui à sorveteria que ao lado do hotel, eu não sabia que ali encontraria uma distração para aquele dia chuvoso! Cheguei à sorveteria, me servi – era self service – me sentei aonde dava para ver o mar e liguei para minha mãe para contar o que eu já tinha feito e o que estava acontecendo. Ainda conversando com ela, percebi que alguém me olhava, um rapaz bonito, sorriso cativante, moreno, estatura mediana e cabelo bagunçado. Assim que deliguei o telefone comecei a trocar olhares com ele, eu não esperava a atitude de ele levantar e vir diretamente falar comigo, me perguntou se podia se sentar, eu disse que sim e foi aí que começamos a conversar, ele fazia faculdade de Direito, morava atrás do hotel, já tinha visitado São Paulo, estava solteiro, era engraçado e no final me disse que tinha adorado me conhecer! Eu meio tímida, o sorvete tinha acabado, mas não queria me despedir ali, então enrolei o máximo que pude, até que a chuva deu uma trégua e ele disse: “Vamos dar uma volta pela orla?”, é claro que eu disse que sim! Saímos da sorveteria, ele perguntou se eu já tinha ido ao Pier de Yemanjá, eu disse que não, então ele me levou até lá, ficava perto da ponte que dava acesso à praia do Canto. Era lindo o lugar, fiquei imaginando como seria ver o nascer do sol ali, as ondas do mar agitado daquela tarde, batiam e subia uma brisa leve... Conversamos muito, sobre questões políticas, sobre faculdade, sobre o que pretendíamos seguir quando acabasse a faculdade, um menino muito inteligente que eu tinha encontrado naquele lugar maravilhoso!

A chuva estava aparecendo novamente, gentilmente, ele me perguntou se eu queria voltar pela orla, eu disse que sim, estava esfriando, ele disse que estava com frio e me perguntou se eu o esperaria se ele fosse a sua casa pegar um agasalho, eu também estava com frio e disse que poderíamos nos ver mais tarde se a chuva passasse. Eu disse que pretendia assistir algo no hotel até isso acontecer, ele me olhou e disse: “Que tal se assistirmos algo juntos?” Eu não sabia o que responder, afinal eu tinha acabado de conhecê-lo em uma sorveteria, ele olhou e disse: “Qual é, vamos! Vai ser legal e tenho alguns filmes legais.” não hesitei em viver aquela aventura e logo fui com ele.

Chegamos à casa dele e fui muito bem recebida pelo seu cachorrinho Lucky, quando olho no sofá, a mãe dele estava lá, ele me apresentou, disse que eu era uma amiga e que íamos ver um filme, fiquei envergonhada de estar ali naquele momento, mas logo passou, ela era muito simpática e disse que eu podia ficar a vontade. Fomos para o quarto dele, cama cheia de livros, ele estava estudando para a prova da OAB, tirou tudo de cima e pegou os filmes, sim os filmes eram em DVD, perguntou se eu queria ver na netflix, eu disse que não, no final, para ser bem sincera não me lembro qual filme que escolhemos, ficamos um bom tempo conversando enquanto o filme passava, tínhamos muito que nos conhecer mais, acabamos adormecendo, quando acordamos ele perguntou como eu estava me sentindo e eu disse que estava bem e que nemimaginava que iria conhecer alguém nesta viagem! Então conversamos mais um pouco, já era noite e eu ainda não tinha jantado, pretendia voltar ao hotel, ele insistiu que eu ficasse, eu disse que não, então marcamos de fazer uma trilha no outro dia, trocamos telefones, tiramos fotos e ele foi me deixar no hotel, antes passei em um restaurante para comprar esfihas.

O susto do assalto

Cheguei ao hotel sem acreditar no que tinha acontecido! Como eu pude? Como eu tive tanta coragem de ir à casa de alguém que eu tinha acabado de conhecer? Mas eu estava feliz, muito feliz, não fiz nada por impulso e não aconteceu nada demais. Alguns minutos depois meu celular vibrou, era ele, perguntando se eu estava bem e se estava indo dormir, conversamos, já era bem tarde, então comi as esfihas, tomei um belo banho, combinei de encontrá-lo no domingo às 14 horas para irmos fazer a trilha, ele disse que ia estudar até tarde, tudo certo, desligamos, fui dormir,

Acordei ás 6 horas, mesmo indo dormir tarde, eu queria ir à igreja que tinha lá perto, estava no meu roteiro, fui tomar café, com a vista maravilhosa, o sol resolveu aparecer e me dar bom dia, olhando ele aparecer cada vez mais forte, agradeci, agradeci por tudo, por estar ali, por ter uma família maravilhosa, por ser quem eu sou sem medo de errar, e vivendo cada momento como se fosse único, "como se fosse"?! Não! Cada momento é único! Basta saber aproveitar.

Voltei ao quarto, me arrumei, já estava em cima da hora, então corri, peguei meu celular e bolsa e tive que pegar um taxi até lá, cheguei e fiquei encantada, era tudo muito simples e ao mesmo tempo muito sofisticado, era tudo bem praiano. O padre celebrou a missa, gravei algumas coisas para mandar para minha mãe, foi tudo lindo, era um dia especial, alguns casais estavam celebrando anos de casados, entre eles um casal que completava 50 anos juntos, ali eu me imaginei, eu nunca quis casar e ter filhos, sempre quis independência, ter alguém junto não necessariamente requer um matrimônio e realmente era isso que eu pensava naquele momento.

A missa acabou, voltei, ainda era cedo, então pensei em ir à praia do Canto antes de encontrá-lo, fui ao quarto, coloquei um biquíni e fui à praia, olhei no celular, ele ainda não tinha acordado, realmente deve ter ido dormir muito tarde... Peguei meu fone, coloquei uma música e fui destino à praia, mal sabia o que me esperava. Deixei a chave na recepção, aconteceu uma corrida na avenida que é uma das mais movimentadas de Vitória. Atravessando a ponte, eu não sabia o perigo que estava correndo, um rapaz começou a andar mais devagar de bicicleta, naquele momento não tinha movimento nenhum na ponte, ele pediu meu celular que estava no meu bolso, comecei a discutir loucamente com ele, eu disse que ele não ia querer, porque ele estava com a tela quebrada, ele não ia conseguir nada com isso, mas não adiantou muito, peguei o celular e dei para ele, quando tirei o celular, acabou saindo o dinheiro também. Ele levou tudo, corri atrás dele, ele foi na direção do hotel, mas logo o perdi de vista.

Cheguei arrasada ao hotel, afinal eu estava sozinha naquele lugar e agora não tinha o contato de ninguém. Assim que cheguei, a recepcionista me deu água e me ajudou a fazer o boletim de ocorrência. Lembram do gerente pelo qual eu tinha me apaixonado? Ele chegou e me ajudou com tudo que precisava, me deixou usar a sala e o computador dele para desativar tudo, tinha tudo no meu celular, o e-mail do trabalho, meu e-mail, mas o que mais me doeu foram as fotos que eu acabei perdendo, aproveitei para postar no Facebook o ocorrido, em seguida liguei para os meus pais, meu pai já me atendeu dizendo: “O que foi que ligou de outro número, perdeu o celular né?” Meu histórico com celulares nunca foi bom, garanti que ligaria para ele todos os dias até o fim da viagem. O gerente do hotel me garantiu que tinha sido a primeira vez que isso aconteceu com algum hospede de lá, a cidade era segura e dificilmente havia roubos, realmente, foi o que todos disseram.

E agora? O que vou fazer, e o Antonio? Bom, tínhamos marcados às 14h, espero que ele apareça! Fui para o quarto, como eu sou prevenida, tinha colocado na mala a câmera. Pedi almoço no quarto, almocei e fiquei vendo TV, às 14h desci para o hall, fiquei esperando e nada, já eram 15h e ele não tinha aparecido, fiquei pensando, será que ele se esqueceu? Será que aconteceu algo? É, ele não apareceu, fiquei muito desapontada, tentando entender o porquê, até que desisti de tentar entender e fui curtir minha viagem, mesmo com o que tinha acontecido! Fui andar na orla da praia, tinha uma van, aonde alugavam patins e skates, eu sou amante de skate, logo aluguei um por 1 hora, e fiquei andando por lá, fui de ponta a ponta na orla que tinha 5 km de extensão, admirando por onde eu passava: os quiosques lotados, o pessoal jogando vôlei na praia, um Golden correndo atrás da bola que a dona estava jogando na direção do mar. A noite ia chegando, devolvi o skate e fui para o hotel jantar, depois do jantar voltei a praia, sentei na areia e fiquei observando a lua, a onda batendo na areia, o mar calmo e manso, tirei o tênis e fui até a beira do mar, andei até que me vi longe demais do hotel e voltei. Agradeci mais uma vez por tudo e fui dormir, antes de dormir me veio o Antonio na cabeça, logo peguei no sono...

Visita ao Convento N. Senhora da Penha

Acordei cedo na segunda, fui tomar café, vi o sol nascendo, as pessoas se exercitando na praia, o movimento da cidade, resolvi que ia visitar o convento Nossa Senhora da Penha, um dos pontos turísticos lá em Vila Velha. Eu não ia deixar um ser que me assaltou estragar tudo! Me troquei e peguei um taxi até lá, afinal não era tão perto e eu não sabia andar no transporte público de lá. O taxista era muito simpático, fomos conversando, contei pra ele do assalto, ele ficou surpreso e disse que fazia muito tempo que não ouvia alguém falando que foi assaltado lá. Passando a terceira ponte, já era possível avistar o convento, a terceira ponte é imensa, um dos cartões postais da cidade, fica em cima da imensidão do mar. Estávamos chegando e o motorista disse que era fácil chegar de ônibus me explicou como fazia para voltar, paguei e desci do taxi, tinha umas pessoas em uma pedra, eu não conseguia ver direito, fui chegando mais perto e tive o prazer de ter aquela vista a minha frente! Era o mar, a terceira ponte e mais uma vez tive a oportunidade de me sentir imensamente feliz... Tirei muitas fotos e fui conhecer o restante do lugar, perto da pedra tinha algumas estatuas, uma delas era Nossa Senhora da Penha e alguns grafites, subi as escadas até a igreja, uma igreja linda, com os móveis antigos, as paredes escuras, cobertas com o que parecia ser ouro, do lado de fora dava pra ver a imensidão da cidade, todas as casas eram vistas como miniaturas, já que o convento ficava bem no alto. Lugar lindo, já tinha visto tudo, então desci para poder voltar, a descida foi bem cansativa, uns 25 minutos de descida a pé.

Clique nas imagens para ampliar.

"Sem problemas, vou conhecer outra praia!"

Cheguei até a saída morta, um restaurante, parei para comer, a comida era deliciosa e barata, comi e fui procurar onde pegava o ônibus, perguntei no restaurante e me informaram, avistei uma praça, alguns pescadores ao lado do mar, um museu próximo, resolvi entrar, contava a história da cidade de Vitória, em cada sala um coisa diferente, os trens que circulavam pela cidade, em uma das salas havia miniaturas, vários tipos de cogumelos. Acabei a visitação e fui para o ponto, o ônibus demorou, até que passou um para a praia da Costa, entrei e logo depois me toquei que o certo a pegar era para a praia do Canto, sem problemas, vou conhecer outra praia, tô usando biquíni mesmo! Desci na praia da Costa em Vila Velha, o sol estava bem forte, bom que deu para pegar uma corzinha, deitei na areia, estendi minha canga e fiquei lá me torrando e admirando tudo. Passou um tempo, um cara que vendia sorvete parou ao lado de duas meninas que estavam do meu lado e começou a conversar, mas elas não queriam conversa, ele percebeu e saiu, adivinha para onde ele foi? Isso mesmo, para o meu lado. Perguntou se eu queria sorvete, eu disse que não e fechei os olhos, mas ele não saiu do meu lado, depois me perguntou se eu estava sozinha, eu disse que estava esperando meu namorado, mesmo assim ele continuava lá! Até que eu levantei, então ele saiu, fiquei com medo e sai de lá. Fui andando a beira mar, avistei umas rochas no final da praia, fui até lá e fiquei encantada, do outro lado da rocha tinha uma parte de mar manso sem onda, era muito lindo, mas estava muito cheia, então acabei nem ficando. Fui para o ponto e peguei o ônibus que ia para o terminal de Vila Velha. Lá peguei outro que passava em Camburi.

Quando cheguei era tarde, na esperança de o Antonio ter passado pelo hotel, perguntei se tinha algum recado pra mim na recepção, mas nada. Subi tomei um banho e sai para procurar aonde jantar. Encontrei uma Pizzaria Paulista, entrei e pedi uma lasanha para viagem, sim, eu fui numa pizzaria e pedi lasanha, risos. Fui para o hotel, comi, vi TV e peguei no sono.

Curva da Jurema, a areia faz curvas entre o mar...

Acordei no outro dia, a mesma coisa, subi para tomar café, do meu lado conheci uma moça, a gente começou a conversar, contei para ela o que tinha acontecido, ela se espantou, disse que já tinha ido à Vitória muitas vezes e que se sentia muito segura, nunca houve nada do tipo com ela. Me deu dicas do que fazer e me falou de Guarapari, fiquei interessada, perguntei na recepção se eles tinham contato de algum guia turístico que fazia passeio para lá, a recepcionista me passou o número e logo liguei, para o dia não tinha passeio programado, só para quarta-feira, mas era no dia que eu voltava para São Paulo. Me garantiram que retornava antes das 18h, o meu voo era às 21h, mas tinha que arrumar minhas coisas, jantar e me arrumar para poder sair, acertei tudo para ir no dia seguinte para Guarapari com parada em Meaípe. Tudo certo, mas ainda eram 10h da manhã, resolvi ir à Curva da Jurema, afinal foi por isso que quis ir para lá, a Curva da Jurema é um pouco depois da praia do Canto, conhecida assim por sua areia fazer curvas entre o mar! Peguei o ônibus e parei próxima, resolvi antes ir ao shopping comer, almocei camarão e sai de lá para ir andando até a Curva da Jurema, vendo as placas fiquei curiosa para ir à ilha do Boi, que fica antes da Curva da Jurema. Fui lá primeiro, passei pela praça por onde o Papa João Paulo passou e guardava uma homenagem a ele, um monumento com uma pomba, alguns militares passavam por lá, um prédio com o design de uma máquina de café me chamou muita atenção...

Enfim cheguei à Curva da Jurema, realmente é linda, havia um parque próximo, muitas pessoas, alguns quiosques com música, me deitei na areia e fiquei tomando um pouco de sol. O tempo começou a mudar, então resolvi voltar para o hotel, já era 18h. Cheguei ao hotel e quando perguntei se havia algum recado, ela respondeu que havia dois, meu coração acelerou, mas logo depois vi que não era o que eu esperava, minha mãe ligou e disse que assim que eu chegasse era para ligar para ela e o outro era da agência de turismo me avisando que passaria às 8h para me pegar. Subi, liguei para minha mãe, pedi comida, tomei banho, comi, assisti e dormi.

As praias lindas de Guarapari

No outro dia acordei cedo, tomei café e me arrumei, fiquei esperando o telefone tocar para eu descer, enfim tocou e eu desci, uma moça muito simpática era a guia, o transporte era uma van, íamos passar em outros dois hotéis para pegar mais gente, como eu estava sozinha, fui na frente com o motorista, pegamos todo mundo e uma moça foi ao meu lado na van. Fomos todos conversando e cantando durante o caminho, passamos pela praia, até que chegamos a Guarapari, a primeira praia foi a praia Preta, conhecida assim devido a cor preta da sua areia, antigamente era utilizada em formas medicinais. Fui à praia dos Namorados, praia linda e cheia de casais, a vista era linda, uma ilha bem no meio com um monte de coqueiros. Chegou a hora do almoço, fomos a um restaurante em Meaípe, conhecida por suas praias paradisíacas, um lugar aparentemente calmo, mas disseram que no carnaval pega fogo! Na volta, passamos pela praia da Costa, entramos em um engenho de cachaça, tomei muito licor e comprei um de chocolate muito gostoso. Na volta, da terceira ponte dava para ver um morro que formava o corpo de um macaco, muito lindo, além disso, era 17h, o sol estava se pondo e pude vivenciar o pôr do sol de Vitória, a coisa mais linda que já vi! Ele se põe atrás das montanhas, não através do mar como é o seu nascer.

Cheguei ao hotel, peguei a chave, me arrumei, arrumei minhas coisas, me certifiquei de que não estava esquecendo de nada e desci para fazer o check-out, quando cheguei à recepção, a recepcionista me olhou e disse que esqueceu de me dar um recado: “Um rapaz esteve aqui, assim que você saiu para o passeio, eu disse que você tinha ido para Guarapari e que voltaria às 17h, ele disse que tentou te mandar mensagem e ligar, mas não conseguia, estava preocupado”. “Eu falei que você estava bem”. Fiz o meu check-out, já tinham chamado um taxi, o motorista pegou minhas malas e entrei no carro. Uma onda de calor passou por mim, ele veio me procurar, eu não sabia o que fazer, devia passar na casa dele antes de ir? Deixei para lá, senão eu ia me atrasar.

No caminho, as lágrimas caíram! Foi uma viagem inesquecível, um lugar incrível, com paisagens maravilhosas, pessoas muito receptivas, se um dia puder eu voltarei lá!

Quando cheguei em casa, a primeira coisa que eu fiz foi uma busca no Facebook, eu tinha que encontrar o Antonio, explicar o que aconteceu e entender o porquê de ele não ter me procurado antes! Busquei de todas as formas até encontrar, não foi fácil, afinal eu só tinha o primeiro nome dele. Mandei o convite, mas não esperei ele aceitar e já enviei uma mensagem, eu disse o que tinha acontecido e perguntei por que ele não tinha me procurado antes. Ele ficou muito chateado, disse que antes de ir me encontrar no domingo, me mandou mensagem, me ligou, mas só dava caixa postal, então desistiu, não foi me encontrar porque achou que eu tinha bloqueado ele e não queria mais vê-lo! Até que fomos nos distanciando depois disso, o que eu ficava sabendo dele era somente as coisas que ele postava, no começo do mês, postou que tinha passado na OAB no nono período (ou seja, não terminou a faculdade, mas passou na prova), fiquei muito feliz por ele.

Se você tiver a oportunidade visite Vitória! É um lugar mágico, lindo, cheio de paisagens e histórias.

NOTA: O texto da Caline é uma contribuição voluntária na Comemoração de 1 Ano deste BLOG, inaugurado em 24 de janeiro de 2016. Ela se inspirou na postagem que trás um diário de bordo da minha viagem para Arraial do Cabo e criou seu próprio diário do seu jeito único. Com o envio do texto, a Caline se inscreveu no concurso e foi escolhida para realizar um ensaio fotográfico externo, Eu fiquei comovido e instigado com a alegria de viver e coragem desta menina de 19 anos nesta experiência. Parabéns Caline pela história e pelo texto! Cineastas, que tal transformarmos isso num belo filme? Eu me candidato como ator, risos.

POST REFERIDO: http://www.ronidiniz.com.br/single-post/2016/12/29/Como-fui-para-neste-Para%C3%ADso-Arraial-do-Cabo-RJ-o-Caribe-Brasileiro

ATUALIZAÇÕES: RESULTADOS

1ª Ganhadora: Marcia | Texto Inscrito: http://www.ronidiniz.com.br/single-post/2017/02/20/O-que-vi-em-O-choro-por-Marcia-Francisco

Prévia do Ensaio Fotográfico (PRÊMIO): https://www.facebook.com/RoniDinizFotografoeDesigner/posts/1371615856221139

2ª Ganhadora: Caline | Texto Inscrito: http://www.ronidiniz.com.br/single-post/2017/03/24/Casos-e-acasos-vividos-na-minha-viagem-%C3%A0-Vitoria-ES-Por-Caline-Silva

Prévia do Ensaio Fotográfico (PRÊMIO): https://www.facebook.com/RoniDinizFotografoeDesigner/posts/1371615856221139

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