Minhas decepções com o Autoconhecimento


Uma das minhas maiores decepções com o autoconhecimento foi descobrir que o infinito amor que eu sempre senti pelas crianças tinha um grande engano!


Claro q eu fiquei muito chocado e passei um tempo integrando e lidando com a necessidade deste desapego. Snif! Snif!


A verdade é que mais de 50% desse amor todo que eu sinto pelas crianças e me deixava encafifado tentando entender as dicas nada sutis da vida, era um chamado gritante para eu olhar para a minha própria criança interior! Era o amor inconsciente, guardado, trancafiado, destinado à minha própria criança interior. Minha criança precisava de um olhar e abraço de um Adulto Amoroso e não de "outra criança". E cá entre nós, de todas as crianças para quem eu já dediquei o meu amor, sejam as crianças reais ou aquelas escondidas por detrás de adultos, a minha criança era a que mais precisava e me aguardava, me chamava insistentemente, mas eu, distraído pelas demandas da vida, pelas obrigações e expectativas da vida adulta, do mundo, estava me portando como um Pai Omisso e ingenuamente Covarde sim, ainda que de forma involuntária e inconsciente.


Afinal, ninguém nos ensina na Faculdade, nos treinamentos empresariais ou nas igrejas sobre a importância de acolher e curar nossa própria criança interior. Mas este gesto tão simples interfere positivamente em nossa vida inteira e relacionamentos e se a gente não faz isso por escolhe, muitas vezes é busca por resolver estes ciclos repetitivos que vai, mais cedo ou mais tarde acusar a nossa infância.


É como se um rio que estava bloqueado lá próximo da nascente estivesse chegando aqui hoje, minguado, mas a gente achasse que o rio é assim mesmo, pois afinal sempre o vimos assim, e por isso vivêssemos tentando compensar esta escassez se unindo a outros “rios”, instalando bombas e encanações de represas e lagos, com muito esforço e cansaço, comprometendo assim a nossa pureza e se tornando um tanto “adulterado”, dependente de outros…


Então de uns 5 anos para cá voltei a fazer terapia com psicólogo por duas vezes, durou mais ou menos um ano cada processo, assumi meus trabalhos autorais como identidade artística, assumi minhas buscas, minhas inquietações, conheci a medicina da Ayahuasca, tinha medos, mas reconheci os sinais, o chamado, depois me abri para o universo Holístico bem aos poucos, conheci as terapias integrativas, muitas, estudei algumas a fundo, as que mais me impactaram e continuo conhecendo-as. Alguns solavancos da Vida me “incentivaram” ainda mais e me fizeram ser muito grato por perceber a diferença que estas ferramentas estavam fazendo em minha vida ao lidar com situações de crise pessoais ou familiares, fiz as formações em ThetaHealing e em Barras de Access, a iniciação em Kriya Yoga em 2018, passei o ano de 2019 estudando Yoga com o privilégio/desafio de ter um professor indiano, num espaço transbordante dessa cultura que é o Centro Cultural Indiano em São Paulo (Centro Cultural Swami Vivekananda).



A minha relação e o meu amor para com as crianças não morreu, apenas se ressignificou, se limpou, ganhou mais consciência, se iluminou, afinal o amor genuíno que sentimos pelos outros é sempre o mesmo amor que sentimos ou não por nós mesmos também. E sem tanta projeção, se torna mais autêntico porque tem mais escuta e menos compulsão de tapar nossa carência “acolhendo” o outro ou esperando de fora o Amor que somente nós poderíamos suprir para nossa criança interior.


Hoje eu consigo amar sem me distrair de reconhecer qual é o meu lugar ou pelo menos, me faço esta pergunta mais vezes, sou tio, irmão, amigo, parceiro, não Pai ainda, e sou terapeuta somente quando estou sendo contratado para isso, por quem escolhe viver o processo. Respirei aliviado muitas vezes ao despoluir as relações embora que pra muita gente talvez fosse muito mais cômodo do jeito que era, nem todo mundo tá pronto para lidar com a gente quando colocamos nossos limites, é preciso estar ciente, mas para mim não era nada cômodo antes, ainda que tenha pesos que a gente só percebe que não eram nossos quando removemos das nossas costas enfim!


O amor não é um peso, desconfie até de si mesmo se estiver se contando esta crença limitante para justificar seus apegos. São os apegos que pesam.


E para voar é preciso liberar os pesos e se responsabilizar pela própria liberdade pelo próprio espaço saudável-disponível para o afeto e para o genuíno amor. Eu te desejo este amor que já está aí dentro pedindo a sua permissão para crescer!


Se por um lado, nossa afeição acentuada pelas crianças reais podem denunciar um pedido por acolhimento de nossa própria criança interior que ficamos tentando compensar com crianças exteriores, como já foi o meu caso, curiosamente, o oposto, a repulsa por crianças e a dificuldade em lidar com elas, também pode ser um grito da nossa criança, denunciando o adulto omisso ou ditador que muitas vezes continuamos sendo com a nossa própria criança interior de forma inconsciente em fidelidade aos padrões limitantes que recebemos e instalamos em nós a partir dos nossos cuidadores.


Se nos voltarmos à nossa criança, com autorresponsabilidade e consistência ela se tornará nossa aliada, nos ensinando muitas coisas e equilibrando a nossa polaridade Adulta, nos ensinando a qualidade de Adulto Amoroso e isso revoluciona nossa relações a partir da relação que temos conosco mesmos.


Conheça o meu Trabalho voltado à Criança Interior, embora eu tenha descontinuado as Imersões Online Via grupo de WhatsApp, continuo facilitando esta reconexão por meio da ferramenta ThetaHealing em sessões individuais.


Fotos: #TBT com meu sobrinho Caio, Maresias, 2015.



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A Autossabotagem e a Criança Interna: https://www.ronidiniz.com.br/post/a-autossabotagem-e-a-crian%C3%A7a-interna

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