Caboclo Tropical Cristão, quase cético!


Se pararmos para refletir perceberemos que no fundo todos nós temos o DNA indígena, independente dos nossos traços físicos. Muito além do "refletir" mental, isso pode ser “sentido” de acordo com o nível de consciência e treino sensorial para as realidades mais sutis e nem por isso menos objetivas e determinantes para a realidade material com a qual nos relacionamos.


Sendo assim, também temos uma essência sucateada em nós, um índio em nosso íntimo, por detrás de todas estas camadas de capitalismo, materialismo e por trás de toda a hipocrisia que muitos ainda blasfemam sem perceber ao chamar os abusos e cultura criminosa de doutrinação de “moral Cristã".


Quero ver alguém me mostrar alguma passagem de Jesus persuadindo alguém, brigando e assustando alguma pessoa com castigo ou recompensa para ela ser sua seguidora. Ele não fazia isso e nem precisava, só faz isso quem na verdade não conhece Cristo ou conhece, mas o despreza, apesar de ser argumentativo e um exemplar instrutor, as palestras de Cristo não se baseavam em doutrinação, como o marketing de guerrilha que a maioria das religiões, políticas, grupos e até relacionamentos utilizam hoje. Mateus 11:28


"Jesus é legal, o que estraga é o fan clube"


Jesus não convencia ninguém por meio do medo de um inferno ou de um deus furioso, o que convencia as pessoas era o nível de consciência que ele emanava, e como seus ouvintes se sentiam mais leves após deixar a sua companhia, tão leves que se sentiam libertos. Você confia que uma consciência firme e amorosa pode mover pessoas condicionadas por uma obediência cega? Cristo não só confiava nisso como demonstrou!


Ele ensinava usando parábolas, que são metáforas, se vivesse hoje, poderia ser um poeta ou um artista, tamanha sensibilidade e o manuseio que fazia das palavras com beleza e simplicidade, ele entendia os mistérios por detrás da Natureza e tinha um respeito fenomenal com cada um que lhe ouvia, especialmente com aqueles mais marginalizados. Marcos 4:3-9


Os fanáticos costumam justificar que ele amava apenas aqueles que largavam os seus “pecados”, pois assim se sentem mais confortáveis para manter seus preconceitos e imporem suas homofobias, misoginias e etc.


Mas a verdade é que Jesus nunca condicionou o seu amor apenas aqueles que o seguissem, tanto que mesmo pela lógica religiosa “ele teria morrido por todos” e isso dói demais ao ego ferido que precisa se manter agarrado às próprias verdades e a grupos que apoiem suas deturpações do Cristo a fim de manterem as sombras em si, que negam tanto ao projetar sobre o outro em forma de preconceito (fenômeno psicológico conhecido como "efeito sombra", recomendo o documentário disponível no Youtube https://youtu.be/rcfbxbihSsQ).


Natureza como Guia


Não tem como falar de sustentabilidade sem falar dos índios, sabe por quê? Eles são naturalmente sustentáveis! Às terras demarcadas aos índios que já viviam lá por gerações, são as mais preservadas e se mantêm como verdadeiras bibliotecas de medicina! Por isso mesmo são as terras mais cobiçadas por um governo que cultua o entreguismo e o autoabuso maquiando a automutilação como se fosse progresso econômico e zelo nacionalista e nada se vê além de inflação e dados aterradores de desmatamento e perda de direitos.


O mais chocante é que as maiores campanhas de genocídio indígena foram patrocinados pela Igreja em nome de uma doutrinação, em nome de Cristo (consulte os livros de história). Você consegue imaginar Jesus instruindo seus discípulos a obrigarem povos indígenas a o aceitarem ou então seriam mutilados e teriam suas mulheres estupradas? A maioria destes "cristãos" não só parecem inventar este Cristo criado em seus corações, como fizeram isso e continuam fazendo com o apoio de muitas igrejas, talvez até da sua!


"Purifica o teu coração antes de permitires que o amor (o Cristo, o Sagrado...) entre nele, pois até o mel mais doce azeda num recipiente sujo." Pitágoras


Temos todos, não somente o DNA indígena, mas também o DNA dos colonizadores, a memória da carne estuprada e do abusadores num só corpo, homem ou mulher, estão na “nuvem” do inconsciente coletivo e fazemos o download não só quando apertamos os “botões e confirmamos com sim”, mas pelos spams que saltam de repente e principalmente toda vez que nos anestesiamos de forma omissa e não estamos conscientes, quando nossa consciência nos abandona e não nos temos, saíndo do presente ficando aberto como uma terra sem porteira!


Por isso o “orai e vigiai" de Cristo se faz mais necessário do que nunca, ter senso crítico, alinhado a própria essência, principalmente quando somos tocados em lugares tão sensíveis como a fé e o sagrado em nós! Não basta “estar na bíblia” (para quem a segue), não basta ser dito por alguém que a gente ama e respeita:


1) Quem diz?

2) COMO diz? Motivado por qual consciência ou sentimento?

3) Fala em nome dos interesses de que ou de quem?

4) Respeita e busca equidade para todos e para o planeta? Use isso inclusive ao filtrar minha fala e descarte sem culpa aquilo que não passar no crivo. Se assuma.


Podemos continuar nos distraindo polarizados, oscilando entre os extremos, hora cristão fervoroso motivado pelo medo e hora rebelde motivado por uma infantil forma de não assumir responsabilidade de filtrar e dosar as coisas, ainda movidos pelo ódio ou entreguismo, ou podemos começar logo a tomar consciência e integrar primeiro dentro de nós, curar estas polaridades que se automutilam internamente para então, despolarizados, donos de si, atuar aqui fora, acessar e viabilizar o sagrado com maturidade e respeito por si, pelo sagrado e por quem o escolher, dando um basta e sendo o transcender destas memórias de dor e de sadomasoquismo.


Faz sentido para você?


Com carinho e consciência,

Roni Diniz


Gratidão pela visita.

Foto: Autorretrato na Pedra do Macaco, Arraial do Cabo, RJ 01/2022

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