A COMPULSÃO POR LIGAR PONTINHOS


Olhando daqui, da altura da “montanha” que eu subi até agora, percebo que muito cedo recorri à lógica e à fria racionalidade como medida de sobrevivência para não cair nas armadilhas nas quais eu via as pessoas que eu amava presas, vitimadas, manipuladas, atoladas numa ingenuidade tóxica, contratando e mantendo relações indignas para provar quão fortes, quão abnegadas ou quão cristãs eram. Puf! Não havia tanta disponibilidade de informação como há hoje, então, amar-se e autoconhecer-se é que era considerado vaidade ou coisa de louco… Estas duas últimas ideias tão revolucionárias não eram nem conceitualizadas naquela época. Mas eu, enquanto criança, percebia claramente as incoerências...


Há um cientista e promotor de justiça muito dedicados dentro de mim também, estas qualidades me ensinaram a ligar os pontinhos desde muito cedo, comparar, discriminar, e assim a perceber que haviam abusos disfarçados de "família", havia inversão de valores, dois pesos e duas medidas, síndrome de Estocolmo (endeusamento de algozes) disfarçada de "Fé" e de "Heroísmo", haviam vaidades disfarçadas de mártires e que o verdadeiro amor fora deturpado e interpretado, divulgado, como endeusamento do sacrifício, de uma maneira nada por acaso.


Socialmente, “amar” tornara-se sinônimo de ser pamonha, mas por outro lado, resistir a esta ideia reativamente também negava o Amor, porque do outro lado estamos nós que não aceitamos ser tratados como pamonha, por isso também acabamos negando o “amor” com medo e estratégia para não sermos tratados como pamonha. O amor foi silenciado pelos que achavam que estavam amando (e sendo pamonhas) e pelos que se recusaram a ser pamonhas. Dois dois jeitos o Amor perdia.


Ufa! Mas nem tanto! Demorei um tanto mais pra perceber que me agarrei com tanta força ao "Método Científico" que deixei de perceber que este apego escondia o meu medo de ser traído e me decepcionar de novo e de novo. Minha compulsão por “ligar os pontinhos” me deixou ainda mais sagaz, mas também ainda mais estéril para o amor, brigando com a minha arte, com a minha essência, não falo apenas do “amor romântico” não, mas era ele o meu principal indício do "Disease". E então, eu me degenerava como uma máquina desligada da fonte de energia é claro!


Quando me revalidei enquanto artista, estudei e experimentei inúmeras teorizações da arte, do teatro, da dança, isso me fez crescer muito, então o "Método Científico" me parecia um jeito nobre e reconhecido de fazer minha arte ser mais vista e respeitada, valorizada, justificada, contextualizada, sob o pensamento de nomes já consolidados e respeitados.


E assim os minutos autênticos de minha experimentação e degustação antes tão livres já se tornaram em seguida "enlatados", "conservados" para então serem submetidos ao julgamento do juri popular… Na minha cabeça, por osmose, não valia a penas nenhuma criação que não se encaixasse “neste método científico” passível de ser repetido e ensinado.


Assim, somente depois de muitas frustrações, entendi que eu é que tinha me tornado o meu principal "abusador" e censurador, regido por uma mente hiperativa treinada pelos valores capitalistas ou mesmo pelos valores da resistência artística, mas que segura o outro lado corda, uma disputa na qual quem sofria e se silenciava era sempre o meu Ser! Esticado pelos dois lados e silenciado pelos dois lados.


Lembro-me nitidamente da primeira vez na qual pude acessar a minha ingenuidade/pureza novamente! Sem nenhuma compulsão por ligar pontos, foi em uma vivência de dança terapia e bioenergética. Lembro-me de sentir a cura energética após dançar livremente debaixo de instruções simples e gentis do nosso professor! Eu sabia que mesmo eu que estava lá presente vivendo, se me visse de fora, me julgaria, minha mente bugou com esta constatação…




Mas nunca mais eu seria o mesmo. Meu lado cientista queria puxar aquele novo fio não-linear, mas agora o Ego estava aprendendo a trabalhar à serviço da Essência e não o contrário, este processo não tem fim e acolhe erros e acertos no caminho, por vezes percebemos que os erros é que foram os maiores acertos. Haja meditação e autorresponsabilidade. Mas dependendo do contexto de quem me lê, é difícil saber do que eu estou falando eu sei, também é desafiado para mim comunicar, se naturalmente você busca em sua mente os referenciais passados do que você já viu ou leu para entender do que eu estou falando, assim a gente só cai no julgamento e na pressuposição apenas como se fosse “A VERDADE”... É preciso experimentar com a ingenuidade de uma criança, mas com a responsabilidade de um Adulto Amoroso...


A vida não poderia e não se restringe aos “muitos, porém escassos” referenciais que a escola da Arte ou os cientistas reconhecidos puderam comprovar e está disponível... Ainda bem que não, se fosse assim estaríamos condenados a monotonia da mesmice mental e metódica, mas quando escolhemos isso e nos apegamos a isso, o Universo de Infinitas Possibilidades nos respeitam também e nos permite ficar recriando apenas nessa “uma” das Infinitas Possibilidades, enquanto as outras infinitas portas ficam reservadas aos aventureiros, tidos como estranhos, loucos e hereges diante dos que ainda se autossabotam achando que é bom-senso e proteção se agarra ao que é aceito, “explicável”, comprovado… Sendo que são apenas pontos de vista.


Como seria criar mais oportunidades para pisar fora dessa caixinha? Dá medo?


Ligar pontinhos pode ser desafiador, instigante, “seguro”, mas entrerte a nossa mente e limita a nossa criação a mais do mesmo, desprezando nosso potencial de infinito ser criador. É uma escolha.


Eu penso que já nasci com um ímpeto de criar fora da caixinha, mas eu tinha um certo senso de missão que me distraia, um ato heroico de querer provar o nosso direito de criar fora destas caixas, mas eu não percebia que eu quanto eu estava nesta briga para ser aceito, eu também não estava criando, continuava sendo distraído e desperdiçando o meu potencial…


Access Consciousness é um conjunto de práticas e técnicas de Expansão da Consciência que meu ajudou muito a entender este novo jeito de criar e até a conceitualizar sem fazer destes conceitos novas prisões ou muletas.


O que está certo sobre mim, que eu desconheço?

O que eu amo sobre isso?

O que daria para mudar nisso?

Como eu criei isso?

O que é certo sobre isso que eu não estou percebendo?

Se eu estivesse vivendo a minha vida hoje, o que eu escolheria criar?


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