© 2016 Roni Diniz . Ator, Fotógrafo e Designer Gráfico.

Introdução do Blog

Como é o seu "lado Pai" consigo mesmo?

 

Este na foto é Manoel Correia Diniz, ou como falam lá na minha terra natal com um riso nostálgico: "o finado Neco Serafim". Faleceu com pouco mais de 40 anos ao lado de minha mãe. Meu pai. Estamos nos conhecendo, assim como aprendo tanto da minha mãe até hoje. Dela, aprendi a perceber seu eco em cada mulher que me cruza o caminho, a perceber, celebrar e a aprender como tocar as vulnerabilidades femininas com mais respeito e amor, pois o modo como eu as trato não raro é um espelho fiel de como toco as minhas próprias vulnerabilidades e em tudo o que há, aprendo a perceber e me relacionar com o seu amor colossal e com o meu também, com as suas dores, magia selvagem, aprendo com os abusos e rancores das mulheres feridas, pois sentia tudo isso em mim como um filho q se doía pela MÃE... Também aprendo a dizer a todas elas meus sins e meus nãos, pois um cordão umbilical rompido nos separa e nos une... Lido com tudo isso aqui dentro, sei q são facetas correspondentes do meu próprio Ser, se não, questões da psique humana... Com o Pai não poderia ser tão diferente!

 

Que venha a hora e já é, de abraçar e acolher também o Pai e seu eco presente em TODOS os homens e nas mulheres também, o "pai" e o masculino em todas as suas variações aqui fora nesse mundão e aqui dentro neste oceano de memórias pessoais e coletivas que não cansam de materializar em mim mesmo ou nos outros, nas ilusões dos meus pontos de vista viciados, herdados ou inconscientes a se iluminarem mais e mais, o pai e o masculino em todas as suas formas e personificações, das mais sagradas às deturpadas, os homens meigos, os protetores, os ausentes, os amorosos, os infantis, os zombadores e inconscientes, os gays, os inrustidos, os liberais, os tantos que aprenderam algum dia que “não-amar” era força e ao se mutilarem assim, talvez nos magoaram e abandonaram nossas mães nos negando amor e aceitação como parece que às vezes acabamos repetindo com quem amamos ou conosco mesmo, quando nos recusamos a nos acolher e perdoar! Quando ainda deixamos nos guiar e com apego por uma voz paterna acusadora que não nos serve mais ou o eco do abandono, “do amor que maltrata”, aprendido e ensinado geração após geração... Pais que apesar de toda a expectativa e responsabilidade depositada sobre si, trazem uma criança ferida dentro, muitas vezes anestesiada pelos vícios, fanatismos ou outras compulsões e formas de repressões. Os pais bizarros, os iluminados, os sempre-presentes e até os abusadores, todos eles também sou Eu! Como assim? Nós os somos ainda-mais quando os negamos e odiamos, ah se ousarmos nos auto-observar... 

 

A criança ferida nos Pais


Que criança será que o meu pai foi e qual tipo de pai ele teve que o influenciou a ser quem é? Que pai terá sido o meu para os meus irmão? Não é um “conta’ tão difícil de se fazer, pelos frutos se conhece a árvore e eu também nasci brotei dela!

Me é, até o que é apenas um potencial imanifesto que desaprovo, condeno e temo, ainda é talvez como erva daninha em meu jardim do qual preciso cuidar e zelar para florir. Assim como a mãe e suas facetas do feminino presentes na complexidade do nosso Ser, lá está o Pai clamando por um abraço e uma boa conversa, podemos discordar amistosamente dele sim e ainda assim nos amarmos!

É meu escolher conhecer-me Pai-que-sou, Pai-que-ficou-do-meu-Pai-ou-de-quem-me-criou para ser mais inteiro, assim como as partes esquecidas do meu próprio corpo que a vida vai me convidando a me relacionar e desatrofiar, às vezes o convite é pela dor, quando as vejo refletidas em outras pessoas achando que são distantes de mim, mas nunca foram. É a vida me convidando a relembrar como é a sensação segura e curativa de amá-los, pais e também sentimentos que se harmonizam e se acalmam enfim, sentimentos amalgamados em nossa memória interna e referencial paterno, esta entidade se dissolve e se cura assim como uma criança que se transforma ao repousar num colo amoroso de mãe e porque não de pai?

 

Este colo que também habita nosso Ser, é manco quando recusamos o pai, mas pra amar é preciso me permitir conhecer-me a fundo até para também dizer com leveza meus nãos e meus sins ou mesmo um "Basta!", e saber ouvir e acolher o não e o sim, ou mesmo o "Basta!", sem duvidar do Amor que sempre nos uniu num abraço paterno-maternal e atemporal, não importa a distância ou as dimensões que nos separam, amar também é dizer NÃO, para que quando for sim, seja de fato "sim".

 

O reverb do nosso pai em tudo o que reflete o masculino


Que haja cura masculina e ela não é outra senão perceber que “medo do pai”, “obediência-cega” ou mesmo a afronta bélica nos adoecem, são irrelevantes e nunca foram pedidas por um Criador amoroso.
E que flua amor e afeto como o laço curado com o pai ao olhar qualquer homem de qualquer tipo, mesmo àquele que ainda se machuca tanto ao ponto desprezar outros homens ou sua parte feminina negada e abusada que ainda projeta fora nos outros e ataca, considerando ingenuamente que nada perde quando sua "vitória" representa automutilação aparentemente alheia, e não vê que é a si que decepa, é sua faceta refletida no outro e falta de autoaceitação... Que nem a competitividade, a repulsa ou a obsessão encontrem terra fértil aqui, mas que brote esta aceitação regada pela essência humana de amar com livre-arbítrio, como esta luz solar energizante que banha nossas manhãs, todos os seres e nossos assuntos obscuros ao escolhermos de novo e sempre o amor!

 

Que brote aceitação consciente, na ingenuidade da liberdade espontânea (esta fala é redundante eu sei) de dizer Eu Te Amo, mesmo num olhar silencioso, sem medo, culpa ou vergonha! Que os homens se permitam experimentar esta onda energética a partir do seu cardíaco que lhes foi tolhida desde tão cedo, mas hoje não se contentarão em manter comportas ultrapassadas e doloridas.

 

Pais Abusivos, como lidar sem odiar?

 

Sei que talvez fosse esperada uma ode à perfeição da paternidade para um dia dedicado aos pais... Mas o fato é que muitos de nós também tivemos ou temos pais e mães narcisistas, obsessivos e etc, mas é uma alívio saber que também com estes ainda podemos desfrutar da saúde e cura ao sentir genuíno amor e gratidão por eles, nem que seja pelo mínimo fato de sua contribuição biológica essencial, desde que encontremos uma distância saudável no relacionamento, aquela proximidade que não implique num autoabuso e desamor por si próprio a ponto de nos impor uma convivência compulsória ou à ditadura da gratidão que implique em autoanulação.

 

Cada um no seu tempo, é convite, descubramos e amemos também às nossas partes masculinas essenciais nos homens ou nas mulheres, sem medo e alegremente, devagar que seja, sem pressa e sem pensar demais, porém com presença e consciência, sem birra, sem expectativas e depois, quem sabe receber de volta um sorriso e um abraço pelo menos aqui dentro em nosso mundo interno?!

 

Alguns tem uma lembrança paterna forte que auxilia neste processo outros a esculpem em si mesmos com zelo e afeto ao criarem seus filhos e ao aprenderem a se amarem e construírem aí um PAI. Para enfim, perceber que fui eu mesmo quem me dei isso, que nossos pais biológicos nos deram muito independente de seus erros e acertos, é fato concreto este muito e esta ação-contribuição está gritando em nós na forma genética e energética de cada célula e átomo nosso! Não podemos nos amar de fato se não os perdoamos, mesmo quando a vida me desenhar esta faceta paterna-masculina na forma de outro ser que me encontra e talvez eu não entenda! O Pai foi você quem se deu! E se ousar tê-lo aí em seu Ser, muito mais lhe será dado como disse um dos mais memoráveis seres que manifestou a essência-masculina-amorosa: Jesus!

 

A medida que hoje eu me dou o-pai-que-eu-mereço diariamente, também redescubro e ressignifico o pai que eu tive, sou eu quem escolho hoje o amor e não mais o contrário e assim que a gente se envolve no acolhimento que sempre esperávamos vir de fora, como era próprio da criança que agora já cresceu e quase sempre se esquece que é seu pra se dar, é seu pra sentir livremente aí e agora "o Pai que merece ter" e o SER por inteiro ao ser independente da crença aprendida ou da justificativa da história vivida, da imagem mental que ficou e foi sendo mantida e reforçada, talvez aquele pai que te acusa ou que abandona, era apenas uma parte tua esperando o acolhimento incondicional para transmutar-se.

 

Que ao nos olhar no espelho também possamos perceber e agradecer ao Pai que amamos, o pai que tanto esperamos, o pai que temos ou o que tivemos de fato e que independente de você ser homem ou mulher, que você o veja e sinta, o Pai que você escolhe SER hoje, primeiro PAI de si mesmo!

 

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