© 2016 Roni Diniz . Ator, Fotógrafo e Designer Gráfico.

Introdução do Blog

Performance HOMENS - Diário de Bordo

 

 

Como foi a experiência da performance? Será que fez sentido o que foi pretendido? Como foi a experiência individual dos performers? Sentiram os "os lugares corporais internos" onde as coisas ficam "acumuladas" no corpo? E no lado externo, a exposição energética?

 

Anderson: _ Acho que a música ajudou bastante (mantra sânscrito JAYA SHIVA SHANKARA BOM BOM HARE HARE), criou uma bolha, se desligar um pouco da cidade e ao mesmo tempo eu gosto muito de ter uma relação com a cidade. Foi bem forte neste sentido! Eu me percebi uma pessoa mais centrada, consegui me desligar bastante do normal, eu sou muito "ligado" no que está acontecendo. Eu deixei as coisas atravessarem, passarem, a respiração ajudou bastante (respiração consciente e ritmada). A luz do sol trazia uma energia diferente, as pessoas, o vento, eu sentia os poros bem abertos! Mas me senti contido na movimentação, tinha muita coisa acontecendo dentro, mas acho que eu não sentia a necessidade de externar, ficou dentro, por aí...

Era bom, acho que o que não era bom foi aterrando logo no início, nos primeiros minutos, naquele silêncio (a performance teve início com uma meditação, todos de pé, com os olhos fechados durante alguns minutos em respiração e percepção consciente do próprio corpo). Não senti muito aquele “rio poluído” (metáfora usada para ilustrar as vozes sociais de censuras que cerceiam a espontaneidade expressiva do corpo, no caso do homem, os clichês de macho, por exemplo). Me lembro do contato com o sol, foi muito bom, algumas imagens que vinham, desenhos de luz, algumas sensações, algumas imagens que se criavam a partir dos sons que cidade fazia... Não senti meu corpo cansado!

Referente às intenções colocadas inicialmente pelo trabalho, "dançar como coro para evocar algumas facetas de volta à figura do homem: a amorosidade...

Às vezes eu me lembrava dos caminhos a serem trilhados, então vinha a vontade de soltar mais o corpo. As imagens que me vieram durante 3 ou 4 segundos, vinham como algo "espiritual", mas eu, naturalmente, não queria forçar... Imaginando o que aquilo é, na hora em que eu percebia que estava acontecendo, o fluxo acabava!

Acho que depois que eu escrevi (em uma das partituras, cada performer escrevia a palavra homem em maiúscula ao redor do Chákra Cardíaco) a relação com Ser Homem desaguou mais... Acho que eu estava mais emoldurado e depois que eu escrevi, veio uma coisa mais "híbrido-gênero", sabe?

 

Victor: _ Eu cheguei bem cansado, mas vim bem intencionado, com um foco e um propósito bem interessante de me libertar! Me libertar em vários sentidos e estar aberto ao novo. Eu estou nisso já faz um tempo, mas eu vim bem intencionado para hoje, aqui, com muito mais intenção do que ao longo de muito tempo da minha vida. Foi um novo momento de experienciar esta questão de coletivo, de grupo, de estarmos ali nos alinhando, cada um por si só e ao mesmo tempo como grupo, como proposta, e a proposta de estar livre dentro de um espaço limitado me fez uma dicotomia que já é da minha essência, então me fez ter muita introspecção... Eu tive muitos momentos introspectivos que vieram a realmente conseguir expor o que eu estava sentindo através dos movimentos. Um dos sentimentos foi o de quase não conseguir mover as pernas, eu senti que naquele momento eu tinha que me aterrar, persistir como Ser, furar aquele concreto e me mostrar como semente, árvore e homem, polaridades distintas de energias... Tive momentos muito Yin e muito Yang, no sentido de estar muito dentro de mim, muito fora, sentir que minha consciência acompanhava tudo, alguns momentos críticos me acompanharam também e aquilo eu expressei de forma a clarear para mim mesmo como Ser observador do que eu estava fazendo. Esta é uma proposta, uma meta até de vida… De seguir naturalmente, da melhor maneira e aceitar o fato de que todos somos observadores das realidades. Estamos o tempo todo observando e o tempo todo sentindo, isso nos faz interagir o tempo todo. Eu me senti muito interagindo com todas as pessoas que estavam passando ali, senti muitas energias distintas, pensamentos que eu reconheci como meus, alguns eu acho que eu captei do “ar”. Alguns momentos de estar em performance corporal, outros de estado energético, são campos eletromagnéticos que passam, cada um com uma vibração diferente, isso é bem científico! E a nossa intuição quando a gente abre, está aberta a esse novo contato, essa nova linguagem. Então foi um momento bem interessante estar participando disso agora, porque eu acho que me ajudou a libertar e me proporcionou uma experiência de continuar... De continuar agindo de maneira “performática” e ao mesmo tempo libertadora, eu senti que foi um momento de libertação da “figura de homem” e assumir o papel ao mesmo tempo! Foi um momento de ser um Ser Vivo, de estar ali e “não pensar”, mas ao mesmo tempo de reconectar com as minhas partes mais íntimas, minhas genitais, em vários momentos eu senti de de me tocar e sentir a minha raiz nos pés, nos órgãos todos e conectar de forma muito equilibrada.  Senti um lado racional forte para isso, mas que também veio do lado emocional, de cura, de vida mesmo... Foi algo que a minha Essência, não tão racional e mais emocional, clama... De estar em equilíbrio o tempo todo, procurar este equilíbrio e manifestá-lo sem forçar! Sentiu, agiu... Sentiu, agiu… O que eu acho que não me pertence depois que eu agi, eu levo para o eterno vazio da minha consciência... Então eu penso nisso como um estado de Ser mesmo... Isso é um lado meu expressado nessa performance... Ao mesmo tempo eu senti antes de começar, um lado racional de que talvez eu não estivesse com tanta energia para agir, que eu estaria gastando mais energia na performance do que eu estaria recebendo... Mas eu senti que a troca foi tão boa e tão fluida que eu me senti recarregado durante a prática! Me sinto mais relaxado corporalmente e emocionalmente do que antes, vivi alguns momentos de tensão corporal e emocional ao mesmo tempo e irracional também, teve todos esses momentos que eu acho que se dissolveram por hora... Por isso que agora eu tô tranquilo de chegar no meu próximo compromisso. Estou bem tranquilo com relação a isso! Quero expor esse depoimento com o máximo de riqueza possível, um sentimento de gratidão por ter participado disso, por ter me libertado até mesmo do preconceito de colocar a palavra “Homem” e agir ali, tirar a camisa com todos os paradigmas que a gente tem da sociedade, com toda a questão do homem e da mulher, dessa questão de gênero, então eu me senti mais liberto no sentido de “vou ex-pe-ri-men-tar”, me colocar na posição de homem e me colocar na posição de Ser, ao mesmo tempo e ver no que dá! Independente do que aconteça, se de repente alguém chegasse ali e me agredisse verbalmente, fisicamente... Eu me sentia na posição de assumir a minha figura como canalisador e transmutador de energia: “Vou continuar a minha performance independente do que acontecer aqui.” A menos que… Lógico né? Chegasse a um parâmetro legal que pudesse interromper todo a minha ação por um resto de anos aí…

 

Roni: _ Muitas coisa que você falou, eu consegui me identificar bastante! Não com a experiência de hoje específica, mas ao longo de todas as experiência que fiz de performances na rua. Essa parte que o Anderson falou do “relances espirituais”, eu pensava: “Que #$&%* é essa?” e até ficava com um pouco de medo!

 

Anderson: _ Eu não sentia medo… Na hora que eu percebia que estava acontecendo, parava naturalmente!

 

Victor: _Outro paradigma que me veio foi o de estar carregando o papel de “trabalhar” com uma entidade espiritual... (se refere a Shiva, entidade do hinduísmo) E como isso seria visto por outras pessoas que trabalham no movimento shivaísta, isso me veio em alguns momentos como algo “racional”, mas eu pensei: “Olha… Por si só, a proposta de existir, de vivência que eu mesmo carrego, eu me sinto totalmente na liberdade de expressar o que eu quiser da maneira que eu quiser e quem vai julgar se é certo ou errado é o equilíbrio cósmico, as coisas se equilibram naturalmente, se o coletivo - todo tipo de pessoa, de fauna, flora…-  também achar que aquilo está desequilibrado demais, aquilo se balanceia naturalmente... Então me propus a experimentar o natural do ser humano que é experimentar, de fato… A proposta de Ser é experimentar!

 

Roni: _ Para mim foi bem diferente performar em três! Dois dos experimentos de performance Permeável, aconteceram com artistas convidados, mas era outro tipo de proposta… A de hoje foi mais “limpa”, menos para ser mais! Abrir mão de várias coisas para poder ir mais fundo. Nas performances de Permeável eu ia me abrindo para o lugar, me colocava ali para experimentar o lugar, “assistir” à vida, não sou “O Artista”, estou lá para experimentar, mas não só olhando, mas sim com o meu corpo e alma, os ossos, com tudo! Isso me colocava, geralmente, em grandes movimentações depois da meditação, andando por todo o lugar, me impregnando do lugar, querendo sentir com a pele, o chão, a árvore… Dessa vez foi diferente, tinha vocês, nossa egrégora vinha até mim o tempo inteiro, como um ciclo de energia passando e ao mesmo tempo, a naturalidade do meu corpo de se expressar… O efeito chegou muito rápido, talvez devido aos resquícios dos eventos que participei nestes últimos dias… Eu tive vontades de me relacionar mais com o público, mas tive dúvidas se… “Cabeção!”, aquele momento “cabeção”: “Será que as escolhas foram feitas certas?”, “Abrir mais a roda...”, “Ficar mais para cá..” Porém, eu sentia um feedback de vocês (os outros dois performers) que estava rolando aqui, tinha que respeitar aqui! Deixar ganhar mais força e mais profundidade aqui e então, talvez automaticamente chegaria fora...

 

Victor: _ Eu ouvi algumas coisas do público, eu troquei olhares, como observador, mas não manifestava a partir do que o que eu estava vendo, mas do que eu estava sentindo... Observava a reação das pessoas. Em alguns momentos eu senti de interagir com o coletivo, algo como a massa inteira… “O que eu quero expressar como Ser individual num coletivo…” Ficou uma dicotomia muito forte que para mim é uma metáfora clara da vida também… Que é uma polaridade, uma dualidade que existe do indivíduo com o coletivo, dentro e fora... Momentos pontuais nos quais eu senti vontade, eu me expressei na hora! Não fiquei racionalizando tanto, no começo eu comecei com isso, aquele choro que me veio  foi um momento de despertar, me senti numa figura de criança despertando para uma nova experiência, para uma nova vida! A presença do choro me veio como o trauma de estar ali no momento novo, trauma da vida, de nascer, aquele trauma inicial de despertar, de acordar e ao mesmo tempo de curar todas as relações de preconceito que eu tinha com relação a tudo isso, de ser Homem… Aquilo me veio como uma enxurrada, tudo aquilo que eu falei no começo, me veio através dessa expressão de choro, do medo, medo do público, de estar me expressando como homem, invocando essa figura de homem, tirando a camisa, escrevendo no peito, performando, não sei se esta é a palavra certa, mas “em performance”... Pelo o que eu contei a gente fez duas rodadas, a gente rodou duas vezes ( ele se refere ao único deslocamento feito no espaço, em sentido horário, um ocupava o lugar do outro a cada vez que a trilha sonora findava, mas foram trê vezes.) isso também simbolicamente é muito interessante, porque como simbolismo, mesmo sendo uma trindade, nós invocamos uma figura dupla que foi a expressão dessa performance! De dentro - fora, eu como indivíduo e eu como trio, ou seja, coletivo, né?! A gente como indivíduo canalizando uma figura de outro coletivo e esse outro coletivo como uma figura única de homem, esta questão de dicotomias dentro de um contexto social e aí vai... Essa dualidade ficou presente e acho que se expressou ali dentro naturalmente…

 

Roni: _ Me vem também… Eu como indivíduo, o tanto que eu reflito do meio, dos símbolos que estão no meio e vêm para mim… Isso é muito forte! As simbologias que são “puramente sociais”… Parece que um símbolo só tem sentido na sociedade, se não, quem vai reconhecer aquele símbolo? O símbolo do homem, da divindade e até da própria arte, fazer arte, por mais que ela esteja sempre sendo “desconstruída”, está sempre comunicando algo para as pessoas, só faz sentido se estiver comunicando alguma coisa…

 

Espectadora 01: _Eu cheguei muito agitada porque eu não estava achando o lugar, quando eu consegui me acalmar um pouco, veio um pessoal ao meu lado, um senhor, fizeram uns comentários muito pesados, eles observavam a performance e aquilo me incomodou muito, mexeu muito comigo, me tirou um pouco a possibilidade de conexão. Mas resumindo, a figura masculina era forte, mas eu não deixei de ver o feminino, sabe? Em nenhum momento! Talvez no corpo, talvez no olhar, na energia que emanava, talvez nos movimentos sutis dos corpos. Em nenhum dos três performers eu não deixei de ver o feminino... Estava presente!

A casca era masculina, existia um esforço para este masculino estar presente, mas o feminino estava ali o tempo todo, esta energia que permeia a todos nós, sabe?   

 

Victor: _ Eu e o Roni conversamos um pouco bem antes do evento e um dos pontos foi sobre esta polaridade de energias, não de gêneros, sobre como é importante resgatar isso que é natural do homem, ou de qualquer gênero, também manifestar a energia feminina… E como tem a proposta de Shiva, a destruição de Shiva, a primeira figura de Shiva era a de um Ser que tem os dois sexos, ali era uma questão de gêneros, mas mesmo depois de ele se dividir em gêneros, tendo uma esposa: Parvarti - num segundo momento de história do hinduísmo, ele não deixa de ter a figura feminina, até mesmo nas suas feições, na sua forma de agir, como a figura do bailarino cósmico, uma figura de movimento feminino... No entendimento de energia, não de gênero, o feminino se apresenta mais em figuras onduladas (sinuosas), figuras soltas, fluidas, já o masculino, mais direcionado, mais pontual….

 

Espectadora 1:  _ Eu me surpreendi quando eu cheguei e vi vocês numa formação circular. Eu acho que eu fiquei pensando numa outra formação por causa do tema “Homem” e aí quando eu cheguei e vi esta formação circular, vocês com a energia voltado para o centro, para mim é muito forte o feminino nesta questão do circular, do centro, do buraco… Eu me surpreendi!  Também na questão da interação com o público, foi outra surpresa, porque eu achei que eu ia encontrar vocês interagindo mais com o público… Teve toda esta relação energética de sentir, de captar o coletivo todo, mas quando eu vi vocês voltados para vocês mesmos, pelo menos na forma física, eu falei: “Meu, não dá para chegar lá! Se eu quiser interagir eu não consigo! Eu me coloquei nesse desafio, pensei: “E se eu chegar lá e interagir com os performers?” Porque era uma possibilidade, vocês estavam lá disponíveis assim... Né? Mas “eu” não conseguia! Eu não conseguia! Tinha alguma coisa que fechava o círculo... Acho que eu vi o Roni de vez em quando voltando a face para a rua, depois ele voltava para dentro do círculo de novo. Não me lembro se vi vocês dois fazerem algum movimento para fora do círculo, mas sem sair do círculo. Me intrigou um pouco esta questão, não é uma resposta de nada só algo que me tocou ali na hora...

 

Victor: _ Eu acho que a proposta era se unir ali como “um”, de alguma maneira e se manifestar como indivíduo e coletivo ao mesmo tempo, nós três...

 

Espectadora 1: _ Deu para sentir isso o tempo todo: “Ali o que está acontecendo é um coletivo e eu não tenho o direito de interferir!”

 

Victor: _ Eu senti que a gente estava manifestando algo que de alguma maneira surpreendeu a população a ponto de ela pensar assim: “Vou observar mais e talvez depois eu interaja..”. Percebi algumas pessoas curiosas em olhar, mas não se sentiam pertencendo àquilo que se manifestava como algo novo… A gente invocar uma presença, chamar “Homem” e estar totalmente desconstruído, o que é também uma proposta shivaísta: destruir uma figura e reconstruir…  

 

Espectadora 1: _ Acho que isso tem muito a ver com o fato de ser homem e não deixar de ter o feminino dentro de si. A própria formação que vocês criaram circular e voltados predominantemente para dentro tem a ver com isso, com permanecer com essa energia feminina também, uma coisa não impede a outra!

 

Victor: _ Fiquei curioso que você compartilhasse a reação do público que você ouviu, também tenho uma parte que eu gostaria de comentar do que eu ouvi do público.

 

Espectadora 1: _Mas é desagradável! Acho que não vale a pena mesmo, me incomodou na hora! Eu tive vontade de interceptar! Mas eles eram três eu era uma, e eram senhores também...

 

Roni: _ Eram, senhores mutilados com certeza! Com suas essências femininas mutiladas…

 

Espectadora 1: _ Eu me desafiei a não sair de perto, para escutar até o final! Quando eles terminaram o cigarro deles e saíram eu falei: “Ufa!”

 

Roni: _ Saíram morrendo de vontade de dançar também, risos…

 

Espectadora 1: Eu percebi que eles falavam de propósito, porque às vezes eles olhavam para mim durante os comentários. Arghhh!

 

Victor: _Que interessante! Mais uma vez se apresentou a polaridade, um grupo de três homens em outro grau de vida, né? A gente com uma proposta, eles com outra, totalmente diferente, eles interagindo, a gente interagindo, você observando os dois lados, sentindo de intervir em um e não sentindo de intervir no outro…

 

Roni: _ Na verdade, você estava nos dois, né?! Entre a cruz e a espada…

 

Victor: _ Os comentários que eu consegui captar de duas pessoas falando, tinham pensamentos opostos...  Uma dizia que estava interessada em interagir: “Quero interagir com eles! Quero fazer algo neste sentido!” e o outro ficava negando esta possibilidade, esta importância de querer agir, ficava cortando… Um ficava se abrindo e o outro ficava cortando e se fechando… O número dois se manifestou aí bem fortemente!

 

Roni: _ Eu me conectei com algumas pessoas que estavam passando na avenida, motoristas de carro… Mas foi algo bem energético, não cheguei a “traduzir” alguma opinião deles sobre mim, esta primeira, óbvia de estranhamento e curiosidade ao mesmo tempo, aquela coisa de o que é estranho atrair: “Que %&$#@ é essa? Eu quero saber o que é!”, um magnetismo, do qual eu não sei dizer a origem… Muitas pessoas mesmo! Isso eu já trago desde o Permeável, durante os seis experimentos, muitos que passam e “querem muito ver”, mas na hora em que são percebidas, disfarçam… Parecem não admitir serem pegas de surpresa... Serem atraídas por aquilo… Como uma proteção, uma armadura… Alguns olham com cara de… Estou julgando, não sei como traduzir isso… Mas alguns olhavam como se dissessem: “Aqui é a Paulista, é estranho… Mas aqui pode tudo!”  

 

Victor: _ Acho que aqui é um grande palco da realidade paulistana, porque aqui se manifestam egrégoras de vários tipos...  (É interrompido por uma turista pedindo informações)

 

Roni: _ Você falou sobre o choro. Para mim foi muito forte este momento! Muito forte… Eu chorei e ri ao mesmo tempo!

 

Espectadora 1: _ Mas em quantos momentos da vida o choro e o riso não se confundem?

 

Victor: _ Na hora que a gente se olhou, em vários momentos de olhares, eu senti que a gente se conectou e trocou muitos sentimentos de alma! Naquele momento eu consegui passar o que eu estava sentindo, algo como: “Olha estou me reconhecendo em um novo despertar, em um novo nascimento agora e assumindo essa figura de Homem e Yin, assumindo por algum momento: “Está na hora de agir para um novo momento da vida”” Eu na minha figura pessoal como Ser e ao longo da vida também, acho que tem este momento de: “Sentiu, mudou, agiu para outro patamar”... Eu senti, agi, então agora estou em um outro momento de: “Nasci! Qual é o próximo passo? Chorei, passou, qual é o próximo passo?” Parecia que você também começou este sentimento.. Foi o que eu eu senti…

 

Roni: _ Foi o sentimento de trocar de chave né? Neste momento que você olhou para mim o que eu senti foi uma ignição! Como um carro mesmo, sabe?!

 

Expectadora 2: _ Acompanhei a performance por cerca de uma hora... É muito louco... Sair assim no meio do caos desta cidade, no horário de pico ainda! Deixando se abraçar pela poluição, o barulho e a vibração de uma metrópole... Se despojar e se entregar assim as sensações e a uma conexão interior...

 

Desde fora percebi que a maioria das pessoas passavam correndo, com pressa e com um destino claro, o que não as deixavam parar para observar o que estava acontecendo. Tinha outros que por estarem no celular ou conversando, nem perceberam. Alguns poucos pararam para olhar curiosos, mas logo continuavam.

Teve uns três ou quatro que registraram no celular e seguiram os seus caminhos.

Talvez as pessoas esperassem mais ação, outros talvez queriam ser envolvidos na proposta, assim podia ser que tivessem ficado...

 

Enquanto não estava escrito no chão (O performer escreve #PerformanceHomens de giz branco no chão, logo no início da intervenção) o comentário do público que passava era: "Tem cada um!". Mas depois que liam o título no chão, as pessoas entendiam que se tratava de uma proposta artística e meio que passavam a olhar com outros olhos.

Mas ainda continuavam a esperar uma mensagem direta e clara (como na publicidade, que é ao que estão acostumados).

 

Eu pessoalmente fiquei me perguntando sobre a relação entre o nome "Homens" e a proposta... Mas na verdade não achei resposta, porque o assunto de gênero para mim é apenas um rótulo social... Só o fato de ficarem com o peito descoberto me soou como um: "Eu sim posso..."

 

Acredito que se fossem mulheres, teriam sido abusadas e prendidas pela polícia.

 

NOTA: A #PerformanceHomens aconteceu no dia 14/12/2017 às 17h próxima ao MASP, na avenida Paulista e durou cerca de uma hora. Ficha Técnica em http://www.ronidiniz.com.br/performancehomens

 

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