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I Follow Rivers, Lykke Li - Obsessão versus Integração dos Opostos - Subtextos da Música

 

Faz tempo que percebo algumas mensagens por trás desta música. Li algumas interpretação mais filosóficas que gostei: obsessão, morte, burca preta… Mas fiz uma leitura mais "espiritual" e arquetípica... A cantora tem uma pegada meio mística se observarmos o seu repertório, na leitura que fiz, ainda tem algo a ver com obsessão sobre a qual li nas outras análises feitas, porém com outra "solução" e outras reverberações ou camadas... Ao meu ver, também se trata de uma perseguição e fuga mais internas, na qual a "treva" ganha mais forças e determinação quando é ignorada ou reprimida e fugir ou lutar contra ela, acentua a perseguição, o conflito e a subjugação... Me lembra um pouco o mítico vídeo da Madonna da música Frozen, ambas mulheres de preto representam esta treva que precisa ser aceita e compreendida para então se diluir, não porque seja a representação "cristã" do mal, mas porque tem a sua função natural e sua meta é se integrar nessa dança entre opostos que gera o todo e o fluxo sem fim, dia e noite...  Em Frozen um apelo da Natureza, ou de Deus, o Criador:  "If I could melt your heart... We'd never be apart... Give yourself to me... You hold the key" intercalado do som MM-mm-mm que parece uma cantiga de mãe e também o som de um AMÉM ou do AUM que significa o som da criação ou "Welcome to the God". Aí vem pouco de visão taoista sobre integração dos opostos... "Be the water and I'm wading", tudo é impermanente, inclusive nós, humanos, com esta luta para aceitarmos a impermanência. "Why not always?" perguntamos como crianças mimadas que não aceitam o término de uma alegria ou amor. Mas tudo faz parte de um todo e o que vem, vai-e-vem, rio e oceano, um corre pro outro e vice-versa."Be the ocean where I unravel".

 

A emoção faminta e descalça sobre a neve fria, desprezada e silenciada por causa do medo do imprevisível e do mistério, por causa da excessiva racionalização (quem nunca?)...  Por causa da superficialidade, da falta de conhecimento de si e da natureza. A emoção, impulsiva e selvagem como o mar, arquétipos também relacionados ao feminino, à bruxa, já a força racional é geralmente relacionada ao masculino, ao ego defensivo e territorialista, o estratégico caçador, mas o homem também tem seu hemisfério direito do cérebro, facetas emocionais, também tem um coração, não é? Atualmente os cientistas estão desmistificando esta teoria de separação das funções  cerebrais entre razão e emoção, afirmando que é normal haver variações (super.abril.com.br). O mar selvagem e indomável também pode ficar brando e ser suporte para a nossa viagem. A dualidade entre cabeça e coração... O coração foi silenciado como símbolo de fraqueza, inclusive por muitos religiosos e por mulheres calejadas pelos abusos, com o peso de águas guardadas em odres encouraçados. Águas agora mal-cheirosas guardadas, por homens e mulheres, precisam ser reestruturadas ou despejadas de volta na natureza onde podem ser recicladas. O coração foi rejeitado pelos religiosos por verem tornado-o símbolo de vulnerabilidade, mas quem ama é o coração e o amor foi a essência dos ensinamentos de Cristo! Será que nos esquecemos do caminho do meio? Talvez a repressão histórica do homem contra a mulher também reflita um medo que nos ensinaram a ter de encarar esta verdade, este lado “feminino” de todo ser que não é "feminino", mas sim Humano, ao invés de correr dele poderíamos estudá-lo, amá-lo e "revertê-lo" a favor de todos os envolvidos. Talvez o medo contemporâneo da mulher e do amor, seja por verem na mulher livre, um retrato deste lado tão intenso e poderoso quanto indomável, porém a mulher também caça e pode ser estrategista como no vídeo clipe, no qual ela o vence pelo cansaço... Nada é permanente, oscilamos o tempo todo em nossos “papéis”, o personagem do vídeo clipe é um homem grande e forte, mas chora como uma criança e se rende depois de muita fuga, todos nós, homem ou mulher, também nos rendemos em algum ponto, em um aspecto ou outro, às vezes passamos por odisseias para enfim integrarmos certas verdades, certos cantos esquecidos ou menosprezados de nós mesmos, as dores que pareciam nos desafiar, mas só tinham um “recado” a nos dar sobre nós mesmos e nossa teimosia... Na música Frozen, mais um apelo "Let all the hurt inside of you die. You're frozen when your heart's not open", não temos que combater a dor, mas simplesmente "deixá-la" morrer...

 

“He a message, I'm the runner. He's the rebel, I'm the daughter. Waiting for you”.

 

Os “opostos” podem se perseguirem ou se acompanharem numa dança prazerosa e digna, eles se anseiam em nosso universo interior e no material que se manifesta a nossa volta, pois um se completa e se dilui no outro, quando um nega ou acusa o outro, o encontro geralmente é trágico e imprevisível gerando traumas que se reverberam em escalas ad infinitum, mas quando se unem com consciência, equilíbrio e amor, gera-se vida (frutos saudáveis que também podem ser simbólicos) assim como ocorre no sexo, na luz que se acende quando a ligação está faz fluir entre os dois pólos da pilha sem querer anular um ou o outro, do contrário, a perseguição obsessiva se instaura e machuca a ambos num ambiente hostil, frio e estéril como no vídeo-clipe...

 

Que o buscador e a meta, homem e mulher, apaixonado(a) e amado(a), se encontrem e se reconheçam pelo Amor - a cola de toda a criação - e não mais pela obsessão e desejo egoísta de exibir o outro como troféu ou se respeitem e se deem seus espaços enquanto ainda se olham saudosos de longe... Do contrário, teremos uma sombra se fortalecendo e perseguindo até que seja compreendida, curiosamente, observá-la e compreendê-la é oposto de nutrí-la, é assim que permitimos que se dilua, iluminando-a.  Para isso seria inevitável nos desapegarmos do jogo e da caça, para que haja "simbiose" e não mais canibalismo assassino, pois onde tem um "vencedor" haverá um perdedor e este quadro dramático que ainda arrasta multidões de espectadores famintos aos cinemas, teatros e novelas (risos), sempre oscilará os seus lados, mais cedo ou mais tarde até que aprendamos o recado que suas dores resultantes têm gritado em nós aqui na vida real...

 

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Outras análises citadas da música no texto: http://anarcolitico.blogspot.com.br/2016/05/teorias-e-interpretacoes-i-follor.html

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 ATUALIZAÇÃO 04/02/18:

 

 

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