© 2016 Roni Diniz . Ator, Fotógrafo e Designer Gráfico.

Introdução do Blog

O que será que o teu corpo está tentando te dizer?

 

Ontem em nosso Laboratório de Treinamento para atores na Unesp, passamos algumas horas estudando nossas colunas. Utilizamos um daqueles espaguetes usados para flutuar na piscina, começamos a massagear nossas costas individualmente, deitados sobre eles, percorrendo toda a coluna, do Cóccix (osso que seria um rabo se fosse prolongado) até a nuca... Todo o estudo era acoplado à percepção e uso da respiração. Fazia parte das instruções soltarmos sons guturais a cada expirada de ar e era perceptível como o som contribuía para o relaxamento do corpo, assim percorremos cada vértebra, alguns pontos tensionados, em outros um pouco de cócegas... Mas os sons tomavam a forma de gemidos e estavam muito relacionados ao prazer embora não fosse esta a principal meta, às vezes dávamos umas gargalhadas expressivas. Devaneei por alguns segundos refletindo sobre como nossa expressão de prazer é reprimida socialmente, mesmo se você estiver fazendo amor com sua esposa dentro de todo o preceito aceitável e carimbado socialmente, ainda assim, provavelmente você terá muitos receios de soltar seus gemidos sem culpa e sem vergonha, pois alguém pode ouvir... Risos. Fui percebendo/estudando o fluxo simples do som puro e a produção dele em meu corpo, junto com os “lugares” que eram acionados e vibravam, para quem é da linha da massoterapia e outras terapias e estudos corporais, provavelmente já ouviu ou conhece/utiliza as nomenclaturas do Chákras, mas se você se incomodar com elas, pense que é só mais um jeito possível de organizar o conhecimento: era muito claro perceber como os sons desenhavam uma energia circulando em coro no ambiente, nossa turma tinha umas 20 pessoas, eram sons nas frequências dos chákras básicos e umbilical. Talvez você não saiba, mas muitas músicas e propagandas populares utilizam estas frequências sonoras que também estão presentes nas cores, sem nenhum senso pra fazer você rebolar, sentir fome, dentre outros impulsos, risos, não estou atribuindo valores aqui. Uma faca é só uma ferramenta muito útil e bem feita! Pode ser usada para fazer uma bela refeição por amor a alguém ou para cometer um crime. Assim também é o conhecimento e o nosso corpo...

 

O chakra Básico (base da coluna) é o principal modelador dos estímulos da vida orgânica e espiritual do homem! Este chakra tem uma energia chamada “fogo serpentino” ou “kundalini”, que, em forma de serpente (por isso o símbolo da medicina tem aquelas duas cobrinhas enroladas, resumidamente simbolizam o fluxo equilibrado que proporciona a saúde e bem-estar), sobe ao longo do corpo vitalizando os outros chakras que estão ligados com nossa criatividade, expressão e integração social, espiritual... (Terapeutas, por favor sintam-se a vontade para correções ou complementos). Outros chakras ficam na altura do coração, garganta e testa, caminho pelo qual os católicos selam o sinal da cruz (será coincidência?), o chakra coronário é o caminho da conexão com o universo e com Deus (ou com a frequência divina pra quem não vê Deus como ser), é nele onde o pastor sobrepõe a mão para ungir o fiel, onde se situa a moleira aberta dos bebês, onde o rei usava sua coroa que é um “símbolo” de sua conexão divina, pelo menos era o que queriam fazer com os súditos acreditassem (seria coincidência?). Mas tudo começa lá na base da coluna para poder fluir por todo o caminho... Não tem como pular e só ficar nos chakras superiores, é como o caminho natural que água faz para alimentar a árvore, subindo desde a sua raiz. Quando estes primeiros chakras não estão com as energias fluindo perfeitamente devido às energias bloqueadas ou excessos de funcionamento neles (traumas, preconceitos, perversões, falta de amor-próprio, vícios...), o desequilíbrio se reflete por todo o corpo, por nossa emoção e espiritualidade, pois está tudo sabiamente conectado em “ecossistemas” perfeitos e invisíveis como ocorre em toda a natureza, este é conceito muito facilmente comprovável quando estudamos qualquer método de interpretação mais profundo. Por exemplo, o descontrole sexual ou no outro oposto, a dificuldade de expressão sexual, o medo, a repressão - a expressão sexual é inerente ao ser humano e totalmente saudável quando em equilíbrio e de modo consciente, assim como a alimentação, respiração e etc - interferem no nível psíquico e emocional também, o indivíduo pode refletir inseguranças e medos que o bloqueiam para a total potência do seu ser e ainda se cobrar/culpar por isso! Numa esfera histórica é possível perceber claramente alguns motivos pelos quais a repressão política e religiosa sempre buscou impor e manter um controle absurdo sobre a sexualidade da grande população, bem como incentivar a repulsa ao próprio corpo, para mantê-los sob controle. O fluxo da energia co-me-ça aí na base da coluna e  uma vez em descontrole, os indivíduos se tornam facilmente pessoas doentes, fisicamente e psicologicamente suscetíveis ao domínio de líderes inescrupulosos, as pessoas ficam desprovidas de suas potencialidades e cada vez mais inconscientes, perfeita massa de mão de obra, perfeitos fanáticos... Esta conclusão poderia ser facilmente “lida” como um incentivo à libertinagem e às orgias pelos mais dogmáticos, mas lembre-se, o conhecimento oriental sublinha sempre a busca do equilíbrio (busca pressupõe movimento, erros e acertos...), pois um descontrole para o outro lado também leva a prejuízos além das outras consequências óbvias!  O que fica mais forte é a importância do autoconhecimento, pois tudo aquilo que é reprimido ganha força. É algo que só nós podemos fazer por nós mesmos em nosso próprio tempo: nos conhecermos e saber qual é a nossa medida. Se eu te digo para você NÃO pensar em elefantes rosas, em que você está pensando?

 

Um dos conceitos muito presentes na cultura oriental é a integração dos “opostos”, pois são partes da mesma coisa, assim como uma árvore que tem raiz e copa, uma pilha que tem lado positivo e negativo, e não funciona se você ligar apenas o positivo, entende? Por aí vai, feminino e masculino, terreno e divino, frio e quente, inverno e verão... Tudo no ciclo que compõe o Todo. De novo, um pensamento extremista e pragmático nos levaria a um rápido julgamento e rotulação precipitada, outra tática de manipulação muito comum é justamente induzir o povo a leituras superficiais, para induzir um comportamento previsível e seguro, neste caso a integração dos opostos poderia ser erroneamente entendida como se fosse um incentivo e banalização do que é “errado”, mas se você conseguir superar os conceitos de “certo e errado” que nos enfiaram goela abaixo desde criança e o medo da punição por apenas se propor a olhar de novo estes assuntos - muitas vezes o medo imposto se desdobra facilmente numa hipocrisia de somente ser o que se é quando está às escondidas e a apedrejar o outro que assume sua essência (quem nunca? muito humano né...) - você poderá testar e experimentar como que se libertar destas amarras pode interferir positivamente na sua vida rumo a real autonomia... Podemos experimentar como, justamente, ter um olhar de “aceitação e compreensão” sobre aquilo do que “mais temos medo ou repugnamos em nosso corpo, comportamento ou mesmo no outro” pode contribuir para ajudar a superá-lo e então escolhermos enfim que caminho seguir ( Lembra-se que tudo o que reprimimos ou negamos ganha força? Como uma mola que sai pulando depois depois de muito tempo presa. Ironicamente, reprimir e censurar não equivale a “escolher o que você não vai fazer” é justamente se alinhar com isso, pois você cria um monstro - uma doença - que vai te influenciando em outro nível, às vezes muito sutil, sem você perceber). Este conhecimento psicológico é uma base para o tratamento de viciados e de certas fobias: o tratamento só começa quando a pessoa admite e “aceita” que tem mesmo tal problema, ele o integra e partir daí começa a treinar como lidar com isso, é como detectar o que isso tem a te dizer sobre você ao invés de tentar sufocar...

 

Viu como a aceitação/”olhar para” não significa incentivo ou banalização de uma coisa grave como um vício ou tendência, mas sim pode ser justamente o ansiado princípio da cura?

 

Será que é possível relacionar tudo isso com um dos mais importantes papéis da arte na sociedade ao nos incomodar e mexer com nossas zonas de conforto e crenças limitantes?

 

Aqui dois links que eu recomendo muito, já vi e revi muitas vezes como estudo, são longos, mas compensam:

Café Filosófico com a pesquisadora e bailarina Dani Lima e a filosofa Viviane Mosé: https://youtu.be/PDQpgF0ZYAw

Corpo Travado é Corpo Invadido.  Com Arli Cravo, Escritor e Coach de autoconhecimento:  https://youtu.be/LdRmBMRsUgE

 

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Foto: Mural do Hosp. Santa Catarina da Av. Paulista.

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