© 2016 Roni Diniz . Ator, Fotógrafo e Designer Gráfico.

Introdução do Blog

Entre afetos e golpes: a cidade e o ator.

 

Iniciei este ano percebendo o poder produtivo de me retirar em alguns momentos. Pode parecer estranho, mas é isso mesmo. Tive grandes oportunidades de testar e perceber como a proximidade, ao mesmo tempo que é de valor imprescindível, também limita nossa visão e pode nos estagnar. Sendo assim, qualquer estudo ou a simples busca de autoconhecimento, pode se beneficiar muito deste movimento dançante de Zoom in e Zoom out. “Olha só estes cursos de extensão cultural na SP Escola de Teatro! São a sua cara!”, dizia mais ou menos assim em um recado que recebi de um amigo querido também ator. “Vagas limitadas”, “Carta de intenção”, “currículo resumido”, “precisa falar inglês”, aquelas coisas que já tem uma mensagem de aviso implícita: “É concorrido, queremos perfis específicos, etc.”. Mas ao ler o enunciado de duas das oficinas eu não pude resistir, tamanha a conexão com minhas inquietações e últimas experiências artísticas nas quais mergulhei. E não é que fui escolhido para as duas nas quais me inscrevi! E agora?!

 

Um dos cursos tinha como intuito familiarizar os participantes com as raízes ritualísticas do teatro e os principais conceitos da teoria do ritual, como mito, cosmologia e liminaridade, entre teoria e prática. “Analisar os principais temas do teatro ritualístico do último século, assim como as performances artísticas ritualísticas, os rituais performativos e a nova arte ritualística”. Orientado por Eero-Tapio Vuori, da Finlândia, diretor, tanto no teatro convencional como em formas experimentais de performance. Claro que me interessei!

 

A outra oficina que me atraiu muito, parecia uma espécie de “vizinha” da performance Permeável, pois era totalmente baseada na relação do ator com a cidade e estudos em cima desta relação para criação de dispositivos cênicos como, por exemplo, o uso do diário de bordo. Vislumbrei uma oportunidade única de trocar ideias e criar também ao lado de outros artistas que, provavelmente, possuiriam as mesmas afinidades de linguagem e processos criativos não-convencionais (teatro de palco é o que chamo de convencional aqui) e inquietações artísticas parecidas com as minhas. Desde a vinda da Marina Abramovic ao Brasil, as minhas conversas sobre Permeável e outras performances que faço questão de ler, assistir, acabavam girando mais em torno de entender a linguagem da performance e diferenciar do teatro, numa tentativa de dissociar o peso da expectativa do interlocutor pelo espetáculo ou de outros artistas de entenderem o tipo de êxito que estes experimentos poderiam trazer... Esta oficina ainda me trouxe o prazer de reencontrar duas pessoas muito queridas, a Sol, minha ex professora de sociologia no tempo da faculdade acho que em 2010 e a Daiane, parceira de grupo no meu primeiro ano no núcleo de vivência teatral da Cia Paidéia em 2011. Ambos os encontros no passado foram em momentos muito especiais.

 

Assim, o mês de fevereiro foi efervescente para mim, no bom sentindo! Tive que fazer aquele remanejamento na agenda e nas rotinas de trabalho e outras ocupações para dar conta dos novos compromissos e é claro, temos que levar em consideração o tempo de transporte (já que eu resido a uns 50min do Centro), as horas de estudo e programações necessárias a fim de tirarmos o devido proveito dos estudos, né?! Aquele momento no qual vem a frase do tio Stanislavski, dizendo que o ator deve ter a disciplina de um soldado. A minha vontade era fazer um registro escrito e fotográfico detalhado de cada oficina, mas eu mal tinha tempo de assimilar tanta coisa e escrever os diários requeridos para cada aula. Eu sempre gosto de me lembrar de alguns livros importantíssimos para mim, sobre teatro e dança, foram escritos no formato de diário de bordo.

 

 

O teatro ritualístico

 

A oficina de Teatro Ritualístico foi transbordante e intensa, durou 5 dias subsequentes, tive um pouco de dificuldade em entender o inglês dos condutores Eero-Tapio Vuori (o Eiki) e Jani-Petteri Olkkonen, mas fiquei feliz ao constatar que eu não estava tão enferrujado assim, eu conseguia me expressar, o maior agravante era o sotaque meio carregado dos orientadores. Nada que umas boas conversas com os colegas do curso entre as aulas não resolvesse. Fui relacionando as experiências práticas e discussões teóricas com as experiências que eu já tive em teatro e performance e reconhecendo as camadas, os princípios, abrindo em mim um caminho e desejos de aprofundamento, achei linda a autonomia que os orientadores desenvolveram em nós para criarmos nossos próprios rituais e reconhecermos os seus princípios funcionando em outras áreas diversas. De certa maneira, reconheci que este campo sempre me interessou e que eu já pendia para este lado, mesmo que inconscientemente, em outros trabalhos e busacas. Por exemplo, a minha performance Permeável que foi assumindo facetas de ritual sem querer querendo. Explico, à medida que os meus desafios como performer foram se diluindo durante os seis experimentos no ano passado, a conexão foi se aprofundando e a dilatação energética também, a permeabilidade do corpo e etc, desvelando materialidades mais profundas e transcendentais, canalizando estados sublimes. A repetição (o insight de observar os padrões repetitivos na natureza, como o espiral e a segmentação áurea), a dança, as conexões, a organicidade, e a entrega, são conceitos chave que circulam minha mente e corpo desde então, sintetizando o meu aprendizado e relações que consegui fazer nesta vivência com o teatro ritualístico que obviamente não acabou por ali, risos, pois o universo conspira a favor. Porém, o que mais me impressionou, apesar da carga meio macabra que costumamos relacionar a ideia de ritual, foi o fato de não presenciarmos em nenhum momento, a religiosidade e o misticismo em peso, como vemos nos filmes e nas religiões ou nos clichês. Pelo contrário, apesar do conceito de sagrado e espiritual ser indissociável, tudo era bem metódico até certo ponto, mas a cereja do bolo é a reverência ao mistério, é o “surrender” que possibilita atravessar às camadas da matéria e vivenciar a conexão poderosa, ela se estabelecia entre os alunos, cerca de 30, e com os elementos da natureza e era, digamos que, “palpável”! Me lembro de percorrermos todo o prédio da escola SP com nossos rituais criados, nossos sons, nossos pés em coro. Nossa criação cristã, no mau sentido, ainda nos poda, nos amedronta e nos enche de preconceitos e julgamentos ignorantes. O processo no teatro ritualístico não pode ser forçado (impor) ou automatizado, requer entrega e presença intensa, corpo, alma, mente e coração integrados, o que para o teatro convencional, quando feito com seriedade, também é um requisito totalmente normal e básico.

 

Abaixo, fotos de um dia bem especial, no qual a "aula" ocorreu na Casa Fidalga no bairro de Pinheiros, aberto ao público. Em grupo, retomamos nossos processos de criação de rituais das aulas, criamos outros e vivenciamos momentos sublimes, como a representação de pinturas na pele que saltavam da alma e os drinks ritualísticos, o "Rain Beer" foi a 1ª vez que brindei pelado sob a chuva. Recomendo! ♥

 

 

 

 

Atores Diários

 

Na oficina Atores Diários, discutimos bastante em sala até reconhecermos e desengessarmos os vícios e posturas recorrentes, que a formação ou costume com o teatro convencional acaba suscitando automaticamente, nos modos de os atores criarem e se posicionarem frente ao público e a obra. Era possível identificar isso durante os exercícios. Lembro-me de uma aquecimento bárbaro que fizemos para a primeira saída à rua, uma sensibilização da coluna, uma espécie de massagem, vértebra por vértebra que eu já tinha vivenciado em uma aula de dança certa vez, numa aula de dança, mas agora era para "recebermos a cidade pela coluna". Neste ínterim, surgiram aqueles comentários precisos da turma e da nossa orientadora Helena Cardoso, que concentram um cerne, um disparador, uma pérola:

  • O foco no estudo é o processo de criação;

  • Olhar intuitivo e não apenas descritivo, cheio de questionamentos, calor da ação;

  • Dispositivo esquizofrênico. Cria e observa. Brota das relações. Fichas que caem. Sonhos que vem. Relação direta com a materialidade (aí é que surge a cena!);

  • Trabalhar silenciosamente para plantar, não impõe, sutil, natural, encaçapar o tema.(Aparentemente todos nos sentíamos mais próximos da performance do que de teatro em si. Mas curiosamente  eu me lembrava muito aqui dos conceitos do Tio Stanislavski, sobre as técnicas do ator de lançar iscas para atrair as emoções verdadeiras ao invés de impô-las com violência... Cultivar flores verdadeiras e não artificiais, sendo que as verdadeiras, resultam da ação da natureza, ao passo que cuidamos do seu cultivo...)

  • Colher materialidade na cidade. Um com o todo. O todo com o um.

  • “A realidade destrói o surrealismo”.

  • “A realidade vê qualquer lógica distinta a lógica padrão como mera loucura”.

 

 

Tanto os exercícios em sala quanto os que realizamos nas praças do Centro, tinham como base o uso dos dispositivos cênicos. Um recurso que faz parte dos processos da A Digna Cia, que eu resumiria como uma “tarefa” que ocupa o nosso primeiro foco (a mente), auxiliando com que a nossa criação objetivada fique em um plano mais sutil e orgânico, sob nossa olhar e intervenção, porém, livre do excesso de repressão e imposição de quem cria. No primeiro plano, está uma ação que não é a mais importante, mas que deve ser gerenciada com zelo e cuidado para que desencadeie "indiretamente" as materialidades e relações que buscamos, é uma estratégia para disparar o desenrolar da cena, escapando da artificialidade e imposição violenta do intérprete. Leva mais tempo, é fugidio, mas é vivo, cheio de partituras e atmosferas lindas e não se repetem iguais, pelo menos não tal e qual.

 

No primeiro laboratório externo, na Praça da República, eu tinha o dispositivo de “sempre mudar”, não interessa a forma como eu interpreto esta missão, mas o que ela desencadeia na minha ação e o seu poder de me impedir de ficar fissurado em atuar, por exemplo, racionalizando demais cada passo que eu der, tornando-o assim, previsível e artificial, foi um dos principais pontos interessantes que eu notei. O pensamento e as escolhas se tornam mais comedidos e espontâneos, como na vida. Nesta saída à praça, depois de alguma dificuldade pra começar, eu acabei me conectando com o formato em gota que se derrama do tronco de uma das árvores da praça, entrei numa dança inicialmente eufórica em razão das partituras estéticas que ela me comunicava, situação que fui entremeando com meu dispositivo (sempre mudar), com a relação com o público e com os próprios estados físicos que iam se despertando em meu corpo. O resultado foi de uma comunhão extrema com o espaço depois de algum tempo, meu chinelo foi roubado, mas um dos atores parceiros percebeu e fez o resgate para mim, risos. O mais interessante, foi perceber como os habitantes da praça se familiarizaram comigo pelo tempo que fiquei ali performando, vieram conversar comigo e perguntaram se eu morava ali na praça, conversamos um pouco e tentei arrancar deles algum sentido em palavras que traduzisse suas expressões atônitas e sentimento de intimidade comigo, eram dois viciados em drogas e duas transexuais que faziam ponto no local. Me olhavam nos olhos, retribuíam o sorriso, não muito diferente do que as pessoas que eu mais amo costumam fazer comigo, era humano. Estavam chocados e inconformados de que tudo aquilo que viram não era resultado de drogas e nem de possessão espiritual, mas apenas de uma pesquisa artística sob o meu controle e observação atenta...

 

Em sequência das atividades externas, a gente discutia em grupo as dificuldades e acertos durante os experimentos, os travamentos, as aflições e qualquer tipo de metodificação que se apontasse em quesitos que anteriormente pareciam tão selvagens e fugidios. Nestes momentos também surgiram frases preciosas do grupo:

 

  • “Quando vamos à praça somos atores ou apenas pessoas vivendo aquele momento?”

  • “Não é ‘qualquer coisa’ que é válida não. Nós criamos o conjunto de regras e o modificamos de acordo com a necessidade do caminho que se mostra.”

  • “A arte cria linha de fugas da realidade que vivemos.”

  • “A relativização do tamanho das coisas.”

  • “Gerava poesia que contaminava a praça.”

 

Não é possível abrirmos brechas na cidade se também não abrimos brechas em nós.

 

As experiências do grupo de estudos nas praças geravam materialidades das mais diversas, contato com moradores de rua e um adentrar nessas realidades, relação com as crianças que brincavam no local, com a natureza ou o medo e apatia da maior parte das pessoas que simplesmente passavam por lá. Um micro que não deixava de refletir o macro caos e conflitos da nossa cidade.

 

Como descobrir no meio desse mundarel de informações o que seria a nossa pesquisa individual? Todos nos sentimos bem perdidos nas vésperas da data na qual teríamos uma hora e meia para desenvolvermos o nosso experimento final na rua. Trocamos os nossos diários, sob a instrução de coletarmos nos diários alheios o nosso dispositivo criativo. Foi um dia intenso e prazeroso. Ficamos sem a nossa sala na SP Escola de Teatro que acabara de se mudar de vez para a sede do Brás, local que inviabilizaria totalmente a continuidade da nossa pesquisa nas praças que eram próximas a filial da Rua Marquês de Itú, onde realizamos todos os encontro até então. Um dos participantes, o Roberto, ofereceu sua casa para este encontro da troca de diários e no dia dos experimentos finais, acabamos tendo que improvisar, marcando apenas um ponto de encontro na filial da Praça Roosevelt.

 

 

Todas as saídas às praças sempre deixavam temas recorrentes em nossas discussões como o machismo, o medo e a apatia das pessoas e um pouco de poesia em todo este caos. Nestas semanas, acabei vivenciando outras duas experiências marcantes que também me reforçaram uma necessidade antiga de “falar” sobre esses temas, presenciei uma agressão que uma moça trocou com um estranho por não aceitar suas insinuações em plena esteira de baldeação da estação Paulista e um outro processo terapêutico em grupo, também na linha do ritual, que também trouxe à tona a distorção do masculino na nossa sociedade, para o bélico, territorialista e abusivo, mascarando sua fragilidade por meio da imposição e abuso do feminino. Uma frase do diário da Anna e experiência atrelada, me deixou por alguns momentos em êxtase, no dia da troca de diários, fiquei um tempo identificando as metáforas que se reverberavam dos sujeitos da frase – eram símbolos que se desdobravam:

 

 

Ao relatar o impacto sobre mim ao grupo, a Helena me olhou instantaneamente e disse:

“Assistindo os seus vídeos dançando na Paulista vejo que você é a borboleta!”

 

Ouvir isso soou em mim como um sino, sinalizando uma resposta, um caminho... Depois de alguns silêncios eu pensei: Mas agora eu preciso estruturar tudo isso e criar o meu programa, afinal, se eu fui como a borboleta ao dançar na Paulista, por algum momento, com certeza foi por que eu não tinha a intenção de sê-la, mas justamente "brotou", já que eu estive em razão de outros dispositivos, como o desafio de me tornar permeável e viver o aqui e agora e etc. Como eu identificaria isso agora em um novo experimento, sem repetir a performance Permeável e nem sair por aí imitando uma borboleta? Imediatamente me veio o insight de utilizar um tecido como dispositivo, não qualquer tecido, foi aí que eu me lembrei da saia vermelha que fez parte do nosso figurino no espetáculo Facebunda em 2013, tinha na pesquisa alguns subtemas em torno da ancestralidade e da banalização do corpo. Estudei ela em casa por alguns dias, percebendo os estímulos que ela me trazia, diluindo meus preconceitos para ficar em razão do real, e fui entendendo que o "ar" era o maior dispositivo desta ação, a respiração revela a vida que ainda transcorre vibrante entre nossas carapaças, como uma borboleta que voa entre os escombros, como um espírito santo que toda coisa viva tem dentro de si. Surgiu então, o nome da ação: Sopro de Vida. Nesta semana, curiosamente, me deparei com uma borboleta ao subir a rampa do terminal Capelinha a noite, mansamente ela subiu sobre minha mão e me acompanhou até em casa, onde fizemos uma sessão de fotos (risos). Dois dias depois, atravessando a passarela da estação Pinheiros de trem em pleno horário de pico e frenético vai-e-vem de gente, me paralisei ao notar outra borboleta voando perdida entre o povo, estático, observei ela voar na minha direção e pousar sobre a minha perna direita enquanto eu era quase atropelado pelos transeuntes apressados. Eu me proporia a me conectar com esta força feminina, criadora e sutil... Meu experimento naturalmente acabou mesclando os elementos das duas oficinas que fiz neste mês e uma espécie de continuidade de 2016!

 

 

 

Por último, veio a decisão de usar nesta ação o meu protótipo de máscara (concebido em Jun/2016) que faz parte do Kit Antiestupro, obra composta por um conjunto de 5 adereços que são objetos artísticos para serem vestidos e pretendem justamente materializar posturas sociais disseminadas inconscientemente, relacionadas ao gênero e “falar” sobre o machismo e a superficialidade da autoafirmação e impositiva, representando a figura distorcida de macho que ainda predomina em nosso imaginário coletivo. A Máscara de Pegador é de papel machê e tem três falos, dois na testa e um saindo da boca. Na minha concepção, representa um excesso prejudicial e deturpado do conceito masculino, no qual não há espaço para a mescla das duas energias complementares. O homem é instado a ostentar como vigorosos chifres a sua masculinidade inventada, artificial, pois a natural e normal que falaria por si própria, não é o suficiente,ele a desconhece, o fizeram acreditar que já não lhe é mais o bastante ou pelo menos não lhe trás a segurança e “respeito” ansiados, ele tem que impor e falar o quanto é macho o tempo todo, com palavras ou comportamento, posturas que, no fundo, revelam seu medo e insegurança de ter suas fragilidades expostas e sofrer o mesmo abuso, que até então, ele tem sido o autor. Tem mais pênis em sua cabeça e língua do que em seu próprio corpo, mas é miragem, é máscara, pois estes são inventados e mesmo assim recebem mais cuidados e atenção do que o seu próprio corpo real, banalizado e desrespeitado por si próprio.

 

No experimento "Sopro de Vida", me desafiei a vivenciar um looping entre as duas materialidades polares durante 1:30h: De peito aberto, descalço e sem camisa, o contorno de um coração humano traçado sobre o meu peito, vesti e ostentei a máscara de falos, eu deixava vir sobre o meu corpo o masculino sobrecarregado e observava sem o julgar, mascarado, auto afirmador, bélico e exibicionista, o poder de ter ali 4 falos; Ao retirar a máscara, sentia a nudez e exposição de permitir ao mundo me verem como eu realmente sou agora, desprotegido e “insuficiente” para eles; Em seguida, forrava ao chão a saia que trazia dobrada sobre minhas mãos como sacrifício ou prêmio, estendida ao chão, ela formava um desenho de mandala vermelho-sangue, uma flor, uma roda, um símbolo sagrado, olhava-a até me conectar com ela e adentrá-la, vestindo-a em seguida, primeiro sobre meus ombros, como asas que saboreavam a resistência do ar,  deslizavam e me faziam plainar. Em fim, descendo-a até a cintura, ela se tornava uma extensão dos meus gestos, um rastro da minha dança e da leveza e força do meu giro, giro como os planetas em órbita, como o espiral da água que evacua entrando num ralo ou do furacão que emerge, à frequência de conexão com o sagrado e sublime feminino que transita mais sutilmente pela natureza, para depois, em fim, me desvincular dela aos poucos, e receber novamente a máscara de pegador. Este experimento fica para outro post, tenho um longo diário de bordo detalhado sobre o dia, as reações do público, meus sentimentos e etc.!

 

 

NOTA: A Helena Cardoso da A Digna CIA, está em cartaz com espetáculo “Entre Vãos”, uma experiência cênica que começa no acesso ao site www.adigna.com/entrevaos . O espetáculo acontece em 3 endereços simultaneamente. No link seguinte, você compra seu ingresso para assistir a cena ANJO DE CORREDOR, que acontece nas proximidades do metrô MARECHAL DEODORO. http://www.adigna.com/anjo-de-corredor.html

Outra atriz que participou destes estudos com a gente foi a Mariana Beda da Cia Munguzá de Teatro que está em cartaz com “11 Selvagens”: http://redeglobo.globo.com/globoteatro/noticia/11-selvagens-fala-de-pessoas-que-perdem-o-controle-por-pressoes-do-cotidiano.ghtml

Programação e compra: https://www.sympla.com.br/pequenoato

 

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Machismo e Estupro: http://www.ronidiniz.com.br/single-post/2017/01/23/Um-bonde-chamado-Estupro

Perguntei à Marina Abramovic http://www.ronidiniz.com.br/single-post/2016/04/22/Perguntei-%C3%A0-Marina-Abramovic

Permeável Dança-Performance: http://www.ronidiniz.com.br/permeavel

 

ATUALIZAÇÃO

A Juliana Yurk é uma das artistas que participou da oficina e fez um registro visual dos Experimentos da Oficina Atores Diários:

 

 

 

 

 

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