© 2016 Roni Diniz . Ator, Fotógrafo e Designer Gráfico.

Introdução do Blog

Feliz dia do Publicitário para nós!!! :D

 

Hoje é dia do Publicitário! É inevitável que me passe um filme na cabeça! Em 2011 me formei, 100% bolsista, Enem, ProUni, o primeiro de 9 irmãos, vindos do nordeste, a ter um curso superior. Privilégio e expectativa amarga, anos de muitos sacrifícios, 9 horas corridas de expediente no trabalho para poder viver, e a eterna espera de uma promoção digna após muitos anos numa mesma empresa, mais 4h-5h de transporte coletivo diário, a sorte de ter cruzado com professores incríveis e inspiradores! Um ano de TCC que me levantou questões inúmeras em volta do trabalho coletivo e a falta de preparo que a escola pública e mesmo os 3 anos iniciais da faculdade dão para se poder enfrentar o monstro de uma Trabalho de Graduação Final e outros da vida. Normas ABNT, produção massiva de texto da qual nenhum dos integrantes poderia escapar por mais que um ou outro demonstrasse mais habilidades em outras áreas, o B.O. tinha que ser dividido, sem chefe, com planejamento, prazos, inúmeros finais de semana sacrificados, madrugadas, reuniões e reuniões, faltas, acompanhamentos, visitas ao cliente, desvendar um mercado carente de informações precisas, alguém no grupo que quer se encostar, fases e comportamentos diferentes de cada um, agir ou se omitir? Cobrar ou esperar?

 

Bem antes do TCC eu já tinha sacado que embora eu tivesse amado os conhecimentos fundamentais da comunicação, da linguagem visual, dos veículos de comunicação a causa essencial da profissão não se encaixava com meus ideais, mas eu não costumo desistir na metade... E às vezes "a gente trabalha pra poder pagar o privilégio de fazer o que gostamos ou acreditamos", mas geralmente não sobra tempo ou ficamos doentes antes de ter este prêmio.

 

Foi no teatro que vim aprender que o "tesouro é o trabalho" e não o "fim" ou esta ideia capitalista que fazem de sucesso! Os conhecimentos adquiridos na facul foram profundos sim, apesar das chatices de textos científicos longos, difíceis de ler e se apropriar, seminários e mais seminários e absolutamente tudo sempre em grupo, mas o pior é que o mal necessário de "manipular as imagens" para vender e usar o dom de criar simplesmente para reproduzir receitas (tóin!?), a competitividade nojenta, não faziam sentido, me desanimaram tanto e não só a mim... A profissão não pode ser reduzida a isso claro, nenhuma deve! A publicidade e propaganda fazem parte de nossas vidas. Quem para pra pensar nas condições em que vivem os "criadores", ou pior ainda, será que eles pensam no impacto que suas criações tem na sociedade e no futuro? Deveria ser muito além do objetivo de vender, de sobreviver, penso....

 

É uma alegria imensa sim, constatar que consegui usar os conhecimentos, técnicas e sensibilidade para traduzir o que um produto, serviço ou empresa é num símbolo, numa identidade única que todos podem identificar rapidamente e VER ali os resultados que geralmente só são constatados (reconhecidos) com o aumento de vendas! Aprendi a fazer um briefing, pesquisas, estudar cores, formas, linguagens, dentre um monte de coisas, e entendi que apesar de todo o estudo e variabilidade dos fatores, o processo não é muito diferente da reputação que criamos com nosso nome ou atrelada ao nosso nome, a gente trilhava um longo caminho até entender a essência do negócio, pontos fracos e fortes, seu contexto, trajetórias (Poxa! Se parece um pouco com o trabalho de criação de uma personagem), traduzir isso na sua identidade visual, no seu rótulo, mas como é triste ver que o mundo, a massa, os jovens, estão prezando unicamente deter o rótulo e dispensando o valor da essência, estamos tão acostumados a comprar segundo a embalagem que alguém idealizou e cada vez mais raramente corresponde ao conteúdo, algumas vezes são unicamente isso a "ideia", o "conceito", não são nada, nem o básico que aparentam ser ou o lugar que ocupam na sessão, não são e pagamos mais caro para ostentar que somos "felizes, fortes, seguros, saudáveis" como a imagem da propaganda bem sucedida convenceu que é feliz quem tem aquilo.

 

Não encontrei nenhuma figura inspiradora na publicidade que me despertasse para além. Ironicamente, atualmente viver de arte e cultura é quase como viver fazendo TCC's, risos, exceto às temíveis normas ABNT, o trabalho é o mesmo, a autonomia exigida para se pensar, discutir, planejar e a necessidade do trabalho em grupo é igual para se propor um projeto e financiar um período de trabalho que nem sabemos se será aceito e se for não existe nenhuma garantia após o seu término... Voltam a me circundar as questões sobre a Publicidade e Propaganda a necessidade de vender, de manipular para que comprem, de conhecer o público para produzir, nem sempre o que te instiga, mas o que vai trazer o povo pra ver... Como conciliar? Tá tudo junto. Tá tudo ali e aqui. Não tenho as respostas, nem a estabilidade financeira desejada para poder trabalhar em paz, tudo que tenho é a busca. Antes de tudo sou um ser complexo que não se resume no material ou na profissão, mas consciente de que o nosso fazer vai inevitavelmente nos moldando também e vice-versa, tem algumas coisas que eu ouso não querer, ouso nadar contra a maré sim, mesmo conhecendo as consequências e conflitos resultantes, elas não podem reduzir o que eu sou... Gostaria de ver mais ética e humanização, menos superficialidade e malícia na Publicidade e Propaganda, gostaria que ela refletisse isso da sociedade que ela representa. Sou Publicitário, Sou Ator, Sou Fotógrafo, Danço... Com o corpo, com as ideias, com as palavras, com as dúvidas...

 

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