© 2016 Roni Diniz . Ator, Fotógrafo e Designer Gráfico.

Introdução do Blog

Autoconhecimento, meditação e caminhar sobre brasas de verdade!

“Você acha que a relação que tem consigo mesmo influencia no modo como você se relaciona com o outro?”. O Teatro, a arte em geral, quando imbuída de pesquisa e questionamentos, anda lado a lado com o autoconhecimento, muitas vezes numa retroalimentação potente: arte inspira e mexe com a vida, a vida inspira e mexe com arte. Nesta busca, acho quase impossível realizar qualquer trabalho artístico sem acionar múltiplas sinapses e relações com a vida, com as experiências...

 

A pergunta do início era uma das que eu fazia diretamente a alguém do público na performance DERIVA (2014). Este trabalho cujas bases se estabeleciam em torno de inquietações do homem moderno a deriva, eram minhas, do Gabriel e do Ronaldo, encontramos nas abordagens do “Amor Líquido” do sociólogo Zygmunt Bauman um campo fértil para a construção cênica e provocações performáticas que ansiávamos dar voz e trazer à cena.

 

O Teatro me trouxe e traz muitos prazeres, conquistas, evoluções, dores e “despertares”, dentre eles um presentaço: lembranças que eu não tenho dos meus falecidos pais, como assim? São pintadas com os indícios do contexto que eu tenho sempre disponível em meus irmãos, na família, na cidade natal de Ibirajuba (onde nasci), em mim mesmo com minhas manias e jeitos, mas uma das coisas que eu considero ainda mais valiosa é a visão profunda e sempre em movimento dançante sobre o mundo e sobre mim mesmo, minha história, meu país, meu povo. Pois tudo começa na gente, não é? Sabe aquela frase que marca presença nas redes sociais? “Seja a mudança que você quer ver no mundo!”.  Pois é, seria como enganar a si próprio, fazer teatro e não se olhar de fora, não olhar pra dentro de si, pra nossas próprias contradições, nossos próprios subtextos e gêneses! Como se formou esta persona que é de verdade e me encara neste espelho? Pois um bom texto, um bom diretor,  está sempre remexendo com tudo que parecia assentado, conhecido, determinado, óbvio... Um ator, que esteja tentando evoluir, e se contagie com esta dança deliciosa, tem inevitavelmente esta busca atrelada ao fazer e ao existir, pois um se alimenta do outro... Ouvi o Antunes Filho dizer certa vez: "O teatro é o meio (meio para se atingir algo) e não o fim".

 

Assim, que este ano, minha atenção começou a se direcionar para um antigo e pequeno desafio meu: “Ame-se!”. Como assim? Você não se ama Roni? Óhhhh Foi esta a frase que uma terapeuta me sugeriu, quando eu participei de uma vivência transformadora daquelas que se tornam um marco em nossa vida, o “Leader Training” (2009) e voltou a fazer sentido pra mim. Nesta experiência, eu estava divagando em frases para tentar sintetizar meu desafio de vida numa frase curta e objetiva e, ao dizê-las à psicóloga que me acompanhava, ela me olhou no fundo dos meus olhos e disse: “Seu desafio é “AME-SE”. A frase se impregnou em mim como um mantra, mesmo que eu não concordasse racionalmente e de pronto, não visse muito sentido naquele momento...

 

Desde criança eu sentia atração por práticas de meditação, mas nunca tinha tido a oportunidade de exercitá-la e reconhecer os seus valores práticos para a vida. Existem lembranças velhas que meu irmão me contou um dia desses, de ele chegar em casa acompanhado de visita e me encontrarem, aos 9 anos de idade, sentado e quieto no quintal com as perninhas cruzadas e olhos fechados, e a visita perguntar:  “nossa, ele medita?”. Na verdade eu estava mais era “brincando” de meditar, hahaha, eu era apaixonado pelo desenho “Cavaleiros do Zodíaco” e acreditava que iria “encontrar o meu cosmos”... É cômico, mas hoje reconheço muitas “verdades” (essências que não deviam ser lidas ao pé da letra) nas quais o desenho se inspirava. Além daqueles momentos, outras meditações espontâneas, quando já fiquei em silêncio por um tempo conectado à natureza, numa montanha silenciosa, numa cachoeira, deitado sobre a grama e olhando as nuvens no céu ou meu estado meditativo preferido: flutuando sobre a água do mar por algumas horas...

 

Durante a adolescência, fiz algumas experiências de meditação, porém,  voltadas às técnicas de relaxamento e visualização, duas nas aulas de psicologia no ensino média e uma entre amigos: uma de nossas amigas passou por uma experiência de relaxamento conduzida por uma psicóloga e resolveu experimentar com a gente em uma de nossas reuniões sociais (claro que deu muito errado para algumas pessoas lá...) foram experiências fortíssimas, das quais guardo lembranças até hoje (eu tinha uns 17 anos), caminhar em um campo de girassóis e encontrar meus falecidos pais atrás de uma cachoeira... O subconsciente é um lugar incrível e tem muita relação com o mundo físico que geralmente floresce aqui fora, o que foi semeado lá, já dizia Stanislavski. Opaaaaa! Olha-o-teatro voltando à pauta...

 

Em 2015, participei do Método Abramovic  no Sesc Pompeia a convite da própria Marina (link para este post no fim do texto). Uma amiga tinha me convidado para participar deste método com ela, mas ao tentar fazer as inscrições pela internet, já estavam encerradas, porém tive o gracioso destino de encontrar a Marina pessoalmente assistindo a uma peça do Zé Celso e ao trocar umas palavras com ela, fui instado a ir pessoalmente, pois “sempre tinha gente que agendava e não ia”. No teatro e na dança, estamos acostumados a viver diversas práticas de concentração, respiração, “atuar é respirar”, e canalização do foco de atenção, de modo que não tive nenhuma dificuldade com o método, a princípio. Muitos relatam experiências horríveis da agonia de ficar quieto e imóvel por meia hora ou caminhar em câmera lenta, de até passar mal, mas para mim isso foi fácil, prazeroso e revelador. Na segunda vez, no entanto, tive sérias dificuldades para aquietar a mente, a respiração e ficar comigo mesmo por aquele período de 2h e meia. Na terceira, não consegui a vaga para fazer o método, acho que todos os inscritos compareceram porque era a última semana, então,  me desafiei a meditar dentro da exposição, ao lado dos grandes cristais expostos, mesmo com todo o barulho e a falta da preparação que o método dava e... Consegui!!

 

Desde então, reconheci o valor prático e a possibilidade de trazer a meditação para a vida, de uma maneira adaptada. Aderi 20min por semana, algumas épocas eu não conseguia fazer, noutras eu dormia fazendo... Mas segui nesta prática na maneira como era possível.

 

Até que um belo dia me deparei com o que hoje reconheço como uma poderosa resposta às minhas orações: as meditações conduzidas em áudio disponíveis no Youtube da Louise Hay. É incrível como as práticas meditativas, em minha opinião pessoal, diferente de muitas Igrejas, despertam o nosso poder pessoal e espiritualidade atrelados à nossa autonomia, respeitando nossa noção particular de Deus! Libertando-nos da culpa e do autoboicote. Sim, iniciei uma grande reorganização dos meus conhecimentos fragmentados sobre o poder do subconsciente, desde as técnicas publicitárias, aos métodos de interpretação, meditação e etc., para saber como usá-lo a meu favor. Isso aconteceu juntamente com os conceitos de linguagem corporal e autocura da escritora Cristina Cairo que voltei a ouvir constantemente desde o ano passado, o que significa melasma na linguagem do corpo? O que significa garganta... Ia no busca do Youtube e digitava:  "Dor de cabeça Cristina Cairo". Claro, tem as propagandas, autoajuda é um negócio lucrativo, tem coisa que a gente não concorda, blá, blá e blá: Use somente o que te ajuda dentro disso que você tem! Consegue testar e reconhecer?  Em um dos áudios ela dizia mais ou menos assim: “São tantos caminhos, tantas terapias, tantos conhecimentos, já achou o seu?”

 

 O encontro e relações destes conhecimentos me levaram decididamente à balada terapêutica e meditativa como que por intuição! Comecei a participar mensalmente destas vivências, curiosamente muito frequentada por atores. Estes foram momentos de busca expressiva do meu corpo que se pareciam com uma fase que vivenciei há quase 10 anos atrás quando gravei um vídeo clipe (link no fim do post).  As baladas tem este nome singular que desperta curiosidade, mas trata-se de uma vivência teórica e prática ministrada pelo querido Frederico Foroni, na Casa Jaya em Pinheiros, são em torno de conhecimentos energéticos, alinhamento dos chakras, seus significados, e o que o Fred chama de “contratos negativos” que aderimos desde a infância e ao longo da vida, de forma inconsciente, por sobrevivência, mas que nem sempre, ou quase nunca, nos direcionam pelo caminho que realmente queremos e escolhemos trilhar... Uma expansão de consciência coletiva. O corpo “guarda” em partes diferentes da musculatura estes “acontecimentos” e traumas, este é um conceito bem simples de confirmarmos na vida. Lá, tudo isso é dançado! Dançar é bom, mas eu não sabia conscientemente destes poderes de "realinhamento", quando bem conduzida por alguém que tem estes conhecimentos. É quase como numa balada, somente vi-ven-do pra se entender o resultado poderoso que isso proporciona! De novo, conhecimentos que não me eram estranhos e que já flertei dentro da dança...

 

A cereja deste bolo de 31 anos, foi o meu retorno ao Instituto Tadashi, dia 31 do mês passado, onde participei do Leader Training em 2009 (link no fim texto), desta vez o que me chamou a atenção na caixa de e-mail foi um título “Acreditando em Você!”, soa muito familiar com aquela frasezinha marcante que falei no início do post, não? “Ame-se!”.

 

Dizer que se ama é fácil, mas começar a investigar os indícios e as consequências ou desdobramentos  deste amor próprio ou da falta dele a fora é ooooooutra coisa! E amor próprio não tem nada a ver com narcisismo ou arrogância, curiosamente, descobri - o que eu já suspeitava - que estes dois últimos, ironicamente, são exatamente um indício da falta de amor próprio! É tudo muito humano. Calma, vamos entender...

 

“A bíblia diz: "Ama o teu próximo COMO A TI MESMO!" Por mais que esta declaração pareça clara, demorei muito tempo para compreender o que significa “Amar a Si Mesmo” e para saber que se não amarmos e respeitarmos a nós mesmos, seremos incapazes de qualquer amor verdadeiro pelos outros. Alguns talvez digam que amar a si mesmo é vaidade, egoísmo e arrogância, talvez seja por isso que este amor por nós mesmos não é despertado e estimulado desde pequenos. Pelo contrário, somos formados para atender o desejo alheio, a expectativa dos pais, as exigências dos professores, as ordens dos adultos. Lutamos desesperadamente para atender aos desejos dos outros, achando que assim seremos amados por eles e neste esforço perdemos de vista o incrível milagre que cada um de nós é como centelha de vida e esplêndida expressão da vida. As atitudes de vaidade, egoísmo ou arrogância, (acrescentaria aqui os vícios, as “rebeldias” exacerbadas, outros abusos de si e do outro...) não revelam amor por nós mesmos, revelam medo, insegurança, necessidade de afirmação. Estas atitudes são disfarces, são escudos para ocultar as carência que incomodam e fazem sofrer. Pense nisso sempre que uma pessoa arrogante intimidar ou procurar diminuir você...” Louise Hay (link no fim do post).

 

As meditações conduzidas merecem cuidados, pois são semeaduras diretas no campo do subconsciente e também me levaram a refletir quanta coisa não proveitosa entra e se prolifera em meu subconsciente sem eu saber ou mesmo aquelas que têm a minha permissão, mas suportadas por uma falta de conhecimento de como isto estava influindo nos frutos que tenho colhido ou deixado de colher... Aquela máxima que se banalizou: “Pensamento é tudo!”. É mesmo, mas como é diferente compreender de uma maneira menos mística e sem tornar isso mais motivo de culpa ou busca de excessivo autocontrole! Os filmes que assistimos, as pessoas com quem andamos, os pensamentos que repassamos internamente tem relação total com o que materializamos no mundo físico e é um perfeito lugar para exercermos o nosso livre arbítrio se não estivermos satisfeitos com o “retorno” que estamos recebendo.

 

O campo das crenças limitadoras é um dos mais fortemente tratados no “Acreditando em você”. São várias palestras que nos convidam a refletirmos quais são as nossas crenças limitadoras que estão nos impedindo de alguma forma, como adquirimos, como funcionam e, o mais importante, como trocar esta crença por outra que nos potencializa, aí que entra novamente o poder da visualização e da dança! Sim, eu não esperava, mas novamente a dança me conduziu neste caminho até a plataforma de 7 metros de brasas acesas! A dança dos Chakras, do guerreiro, do índio...

 

“Um rito de passagem”, como disse bem o Tadashi, significa que algumas coisas devem “morrer” para darem lugar às outras que nascem agora. Eu tinha certeza que andaria sobre as brasas, mesmo sem saber como, eu sabia que tudo que precisasse vir ao meu encontro para que eu cumprisse aquela missão, viria ao meu encontro. Um dos meus segredos de determinação quando sinto dúvida, desde uns bons anos, é pensar: “Ué? Mas eu já estou fazendo, já estou no caminho!” Um outro ensinamento valioso que eu pude relembrar foi a importância do sonho! O que você quiser, desde que ético e que traga felicidade aos outros também, a gente nunca colhe sozinho e isto é lido! Ter a coragem de assumir a responsabilidade sobre si mesmo! Pois é muito mais “fácil” e tentador se colocar como dependente do outro, do governo, do clima...

 

“Todo sonho tem um preço. Um dos segredos do sucesso e da felicidade é estar disposto a pagar o preço” Tadashi (O Tadashi sempre frisa: “desde que seja ético e também ajude outros.”)

 

Ao caminhar sobre as brasas eu senti medo sim, mas mantive o meu foco, e senti sim uma brasa queimar o meio do meu pé. Mas eu já sabia do meu poder, ao invés de fraquejar, senti a energia percorrer meu corpo por toda a minha coluna ainda mais forte, me arrepio só de lembrar e completei o trajeto. Comemorei muito, gritei, chorei, lembrei de uma moça dizendo pra mim, bem antes daquilo tudo acontecer que eu era fóda, por fazer o que eu faço, e eu, tímido e modesto dizer que não, rejeitando o elogio, mas agora eu gritava: "Eu sou fóooooda!". Minutos depois, fiquei incrédulo, voltei pra ver se era brasa mesmo que eu tinha caminhado em cima, huashuashuas.  Ao passar o resto da noite com aquele ardorzinho da única brasa que me queimou, ouvi o Tadashi dizer que quem sentiu alguma queimadura pequena, deveria dar um significado para aquilo, o meu era muito claro: era um lembrete!

 

Esta foi a postagem 4/4, neste mês do meu aniversário decidi fazer uma postagem por semana. E pra hoje, guardei este texto, estas experiências, não por acaso, já fazia um tempo que escrevo pra mim e gostaria de compartilhar sobre estes processos de autoconhecimento. E este, por estranho que pareça, é um presente que estou dando para mim, sim, é primeiro para mim este blog e se alguém ler e fizer um uso positivo, é lucro! Trazer estes registros para perto de mim, organizá-los e revivê-los enquanto eu escrevo ou planejo escrever, já é uma boa recompensa! Mesmo assim, eu tive dúvidas quanto ao nível pessoal de algumas experiências que compartilho, me resta confiar na autonomia e liberdade de quem “ouve”... Assim como reconheço que muitas sementes que recebi, ficaram guardadas para florescerem num outro tempo, o importante é o caminhar e vamos aprender sempre mais... Eu ouvi sobre Cristina Cairo e a Linguagem do Corpo aos 18 anos e não dei importância, julgando como puro misticismo, rsrs. Eu somente retornei a fazer uma vivência no Instituto Tadashi quase 8 anos depois da primeira vez, isso embora tenha sido muito boa a primeira vez e me marcou, me transmitiu confiança e reverbere em mim até hoje. Tudo tem seu tempo! Por favor, não estou dizendo que você deva acreditar em tudo que eu digo logo de cara, muito menos que devem sair andando sobre brasas. Pelo amor! Mas que acolham como puderem e sintam o amor e fé nestes registros, que de alguma maneira isto os incentivem assim como me incentiva!

Para acabar de vez com minhas dúvidas sobre postar ou não isto tudo, recebi hoje um envelope do Correios com esta fotografia abaixo!

 

“Já existem muitas pessoas fazendo o possível. Temos que fazer o impossível!” Tadashi

 

Um grande beijo e abraço em todos vocês que leram! Cheio de gratidão, pois o meu melhor “presente” é estar onde estou, com quem estou agora, cada pessoa, cada história, cada encontro que me proporcionou estas experiências mágicas, sensível ao que cada um me convidar a sentir ou descobrir, fazendo o que eu escolhi fazer rumo aos sonhos!

 

“Quando uma pessoa vive de verdade, todos os outros também vivem” Clarissa Pinkola Estés “A ciranda das mulheres sábias” Rocco Edit.

 

 

 

Links:

Meditação para fortalecer o amor proprio e auto estima | Louise Hay : https://www.youtube.com/watch?v=o1YSM4sv_R4

Cristina Cairo e a Linguagem do corpo: https://www.youtube.com/channel/UCS0z-x9iZLoQstR8lB-h87w

Instituto Tadashi Kadomoto: http://www.tadashi.com.br/treinamentos

Balada Terapêutica em Pinheiros: http://estudioterraforte.com.br/balada-terapeutica-chakras/

Post sobre Marina Abramovic: http://www.ronidiniz.com.br/single-post/2016/04/22/Perguntei-%C3%A0-Marina-Abramovic

Post sobre o momento de vida quando gravei um vídeo clipe: http://www.ronidiniz.com.br/single-post/2016/05/25/Mas-por-que-gravar-um-V%C3%ADdeo-Clipe-1

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