Nossa essência pura e fatalmente subversiva: A alma imoral, peça de Clarice Niesker

Ao despir-se logo no primeiro ato, a atriz também desnuda toda a plateia e todas as “verdades” acomodadas pelos cantos e incrustadas em nossos tumores. Seduz o público com uma enxurrada de subversões, desde as mais ancestrais e sagradas às mais sutis e modernas. Em diálogo fino, complexo e ainda assim de latejante simplicidade, (des)encena seu texto que não foi originalmente feito para teatro e ainda assim desvela linhas de consciência e transgressão intrínsecas à alma humana, à arte e ao centro do fazer teatral - theatron, do grego, “lugar que se vai para ver”. “Aquele que não enxerga não sabe o que não vê, porque quando sabe o que não vê de alguma forma já está vendo.” Tal qual uma Eva na

Machismo e Sagrado Feminino: Diário da Performance Sopro de Vida

“Todos os olhares de quem não estava atrasado ou no celular, se voltaram para a borboleta” Este foi o trecho do diário de bordo da Anna que mais me tocou. Nesta etapa da oficina Atores Diários, tínhamos que ler os diários feitos pelos outros atores participantes, durante as saídas às ruas do Centro de São Paulo. A Helena, atriz e pesquisadora que ministrava o curso, me disse de sobressalto que, nos vídeos das minhas performances na Paulista, (materiais que apresentamos para apresentar nossas pesquisas à turma) eu tinha sido a borboleta! Pra mim, os atrasados e os distraídos no celular figuravam muito bem os tipos de posturas que privavam da visão do imprevisível e efêmero voo de uma borbolet

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